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Seca implacável piora projeção de rendimento da soja argentina

Jonathan Gilbert

21/03/2018 14h21

(Bloomberg) -- A situação já parecia ruim para os produtores agrícolas argentinos prejudicados pela seca. Agora pode piorar ainda mais, porque a safra de soja do país corre o risco de atingir o menor nível em nove anos.

A estiagem implacável deixou os campos secos nos Pampas, principal região de cultivo do país. Os analistas agrícolas foram reduzindo as projeções para a produção durante toda a safra e com a seca prolongada as estimativas provavelmente cairão ainda mais.

Para entender o porquê, basta conversar com Ariel Striglio, um fazendeiro de 52 anos que cultiva terras nobres nos Pampas, perto de Chabás, na província de Santa Fé. Sua soja, de plantio tardio, está em mau estado. Com o crescimento fraco, algumas plantas não passam da altura da canela. Striglio reduziu sua projeção de rendimento pela metade desde o plantio.

"Só cobrirei os custos aqui", disse, abrindo uma vagem verde para inspecionar as sementes do interior. A vagem, como muitas outras no campo seco, tinha apenas duas sementes. Em condições normais, teria três.

A seca gerou uma preocupação global em relação à oferta de farelo de soja porque a Argentina é a maior exportadora mundial da proteína produzida a partir da soja que é usada como ração animal. Os futuros do farelo em Chicago subiram 14 por cento neste ano devido ao aumento da volatilidade. Os ganhos podem resultar em custos maiores para produtoras de carne como a Tyson Foods e a chinesa WH Group.

Duas fases

A soja da Argentina é plantada em duas etapas. A maior parte dos grãos é plantada em outubro e novembro, na chamada semeadura precoce. Eles estão começando a ser colhidos agora. O terceiro terço, conhecido como semeadura tardia, é plantado em dezembro e no início de janeiro e colhido só em maio. Esses grãos tardios estão atualmente passando pela fase crítica de crescimento, que define o rendimento, sob condições de seca brutais, o que aumenta a especulação de que as estimativas para a produção continuarão caindo.

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires deverá atualizar sua projeção para a colheita na quinta-feira. A bolsa já reduziu a estimativa para 42 milhões de toneladas, contra uma previsão de 51 milhões de toneladas no início de fevereiro.

"O piso pode ficar abaixo de 40 milhões", disse Esteban Copati, analista-chefe de estimativas da bolsa, em entrevista por telefone, de Salliqueló, província de Buenos Aires. Se for assim, esta seria a menor safra desde pelo menos 2009.

A situação é tão ruim que alguns fazendeiros que têm gado nem se preocuparão em colher os grãos. Eles simplesmente usarão as plantas de soja arruinadas como forragem.

"Em algumas áreas as plantações já foram abandonadas", disse Francisco Perkins, que cultiva cerca de 7.000 hectares de soja perto de Pehuajó, na província de Buenos Aires. Cerca de 2.000 hectares de sua plantação são semeadura tardia. As expectativas de rendimento desses grãos tardios caíram para 2 toneladas por hectare, contra uma previsão de 3,6 toneladas na época do plantio, disse ele.

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