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Recepcionistas de evento do Santander revelam mudança na Espanha

Charlie Devereux

(Bloomberg) -- Quando os acionistas do Santander chegarem à cidade natal do banco para sua reunião geral anual, o pessoal de uniforme vermelho que lhes mostrará seus assentos será composto por homens e mulheres.

Dos funcionários que darão as boas-vindas aos investidores no evento, que será realizado na cidade litorânea de Santander na sexta-feira, 60 por cento serão do sexo feminino, e o restante, do sexo masculino, informou o banco. É uma maneira de mostrar como a atitude do banco em relação aos papéis de gênero evoluiu: há uma década, 85 por cento dos recepcionistas teriam sido mulheres, afirmou o Santander.

O Banco Santander contrata recepcionistas há anos - normalmente mulheres jovens e atraentes - para dar um toque de elegância e glamour a seus eventos públicos. Sob pressão do movimento global #MeToo, empresas de todo o mundo devem mostrar que não designam funções com base na aparência e no gênero - especialmente se, como o Santander, seu negócio tiver uma dimensão global.

"Se existe algum cargo em que a aparência ou o gênero de alguém seja um fator primordial, isso deve ser analisado", disse Peter Hahn, professor do London Institute of Banking and Finance. "Se você organizar um evento para acionistas internacionais, as expectativas deles precisam ser levadas em consideração."

À frente do gigante do setor bancário, que tem mais de 1,4 trilhão de euros (US$ 1,7 trilhão) em ativos e atua nos dez principais mercados, como Espanha, Brasil e Reino Unido, Ana Botín, de 57 anos, é uma das executivas mais poderosas do mundo. Desde que assumiu a presidência do banco em 2014, após a morte de seu pai, Emilio Botín, ela defende o papel das mulheres em uma instituição que sua família ajuda a administrar desde pelo menos 1895.

Ela se comprometeu a eliminar as disparidades salariais entre homens e mulheres em todos os mercados em que o banco atua até 2025. O Santander informou em um relatório de sustentabilidade de 2017 que está implementando um programa para que 400 funcionários espanhóis participem de processos de orientação para desenvolver talentos femininos. O banco afirmou que 48 por cento das promoções de funcionários em seu país de origem foram para mulheres e que as mulheres ocupam metade dos cargos juniores.

O banco está aplicando os mesmos critérios imparciais para o pessoal que emprega para eventos como a reunião anual de seus 4 milhões de acionistas.

O Santander não tem uma política específica em relação ao gênero para a contratação de recepcionistas de agências, mas busca a diversidade como regra geral e não estabelece critérios relativos à aparência física, afirmou o banco. As mulheres recepcionistas estarão vestidas de vermelho, marca do Santander, e os homens usarão terno escuro e gravata vermelha.

A época de usar as mulheres como "ornamentos" em eventos está aos poucos chegando ao fim na Europa Ocidental, embora os países mediterrâneos estejam atrás dos nórdicos, disse Mireia Las Heras, diretora do Centro Trabalho e Família da IESE Business School em Madri.

"Os bancos estão avançando, e instituições como o Santander implementaram algumas políticas inovadoras de flexibilidade nos últimos anos", disse Las Heras, em entrevista por telefone. "Isso não quer dizer que já chegamos ao fim desse caminho."

--Com a colaboração de Maria Tadeo

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