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Boeing, Apple, produtores de soja: quem a China pode taxar na guerra com EUA

Nicolas Asfour/AFP
Imagem: Nicolas Asfour/AFP

Bloomberg News

23/03/2018 12h23

(Bloomberg) -- O contragolpe de US$ 3 bilhões da China às tarifas de Donald Trump é apenas a primeira medida da segunda maior economia do mundo. A história sugere que não será a última.

O Ministério do Comércio chinês em Pequim informou que aplicará impostos de importação aos EUA, entre os quais uma tarifa de 25% sobre as importações de carne suína e alumínio reciclado dos EUA e tarifas de 15% para tubos de aço, frutas e vinhos dos EUA.

Mas esse é apenas o começo de uma longa lista de opções se as tensões comerciais com os EUA piorarem. A seguir, listamos outras alternativas para um possível revide da China tendo como alvo os US$ 130 bilhões em exportações anuais dos EUA para a China.

Aeronaves

A imprensa chinesa mencionou a Boeing como um dos principais alvos de uma guerra comercial. O líder Xi Jinping entregou à Boeing uma encomenda de US$ 38 bilhões em uma visita à fábrica da empresa, em Seattle, EUA, em 2015, e a China poderia retaliar cancelando essas encomendas e optando pela Airbus, por exemplo. Há também o mercado de compras do governo, que segundo a China vale 3,1 trilhões de yuans (US$ 490 bilhões). Esta opção se dá pelo fato de a China não ser signatária das regras da Organização Mundial do Comércio para compras governamentais.

Agricultura

A agricultura ocuparia a posição central em uma guerra comercial porque é um dos poucos setores nos quais os exportadores dos EUA mantêm um superávit em relação à China. A China é a maior compradora da soja americana: adquiriu US$ 14,6 bilhões no último ano-safra -- mais de um terço de toda a produção dos EUA. O sorgo também estaria na lista de alvos.

Tecnologia

A gênese das últimas medidas dos EUA contra a China é o objetivo de proteger a propriedade intelectual e a tecnologia dos EUA, mas isso não significa que o Vale do Silício esteja protegido do fogo cruzado. Apple, Intel e Cisco Systems estão entre as empresas vulneráveis a uma retaliação.

Impostos sobre exportações

Outra opção é a China impor tarifas adicionais especiais a produtos fabricados localmente e exportados para os EUA. Empresas como a Apple e outras fabricantes de bens de consumo e gigantes da eletrônica sofreriam se a China aplicasse impostos aos produtos exportados. Uma medida desse tipo seria um duro golpe às empresas e aos consumidores americanos, mas também prejudicaria as companhias chinesas.

Diplomacia do negócio

A China pode lançar rapidamente obstáculos não tarifários ao comércio, ampliando as inspeções de segurança e atrasando documentos essenciais para que as mercadorias cheguem ao país. Trata-se de uma abordagem mais discreta que a China costuma usar para promover seus objetivos geopolíticos na Ásia. Essas medidas também podem atrapalhar as operações das multinacionais americanas na China. As possíveis medidas englobam autoridades alfandegárias, órgãos reguladores financeiros, inspetores de qualidade, órgãos antitruste, autoridades ambientais, grupos de defesa dos consumidores e órgãos de planejamento econômico.

Yuan

A opção mais extrema seria uma desvalorização deliberada do yuan para tornar as exportações chinesas mais competitivas. Uma medida do tipo provocaria reflexos nos mercados globais, motivo pelo qual provavelmente não seja uma alavanca que Pequim desejaria acionar imediatamente.

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