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Canadá enfrenta dilema com produção de energia limpa

Jim Efstathiou Jr. e Kevin Orland

26/03/2018 12h39

(Bloomberg) -- Uma das campanhas mais agressivas de combate ao aquecimento global está ocorrendo em uma província canadense. Há apenas um problema: no mesmo lugar é explorado um dos tipos de petróleo mais poluentes do mundo.

Alberta está ampliando o uso de energia renovável e desativando usinas de energia alimentadas pela queima do carvão e em janeiro elevou em 50 por cento o imposto às emissões de carbono, medidas que ajudarão o Canadá a reduzir as emissões em respeito ao acordo climático global de Paris. No entanto, ao mesmo tempo a província está aumentando a produção de suas vastas reservas de areias betuminosas, um combustível fóssil viscoso que produz mais do que o dobro de dióxido de carbono durante a extração e o processamento do que a média norte-americana.

Essa espécie de dupla personalidade ressalta o dilema enfrentado pelas produtoras de petróleo, que também buscam controlar a poluição atmosférica. Em 2011, o Canadá abandonou um acordo climático internacional anterior, o Protocolo de Kyoto, depois que suas areias betuminosas elevaram as emissões de carbono. O novo aumento do imposto sobre o carbono de Alberta afeta as usinas de energia movidas a carvão e gás natural, mas não se aplica à indústria de extração de petróleo, de US$ 36 bilhões.

"A indústria do petróleo e o governo de Alberta não se importaram em sacrificar a indústria do carvão, porque ela é menos importante para a nossa economia", disse Ian Hussey, do Parkland Institute, um centro de pesquisa da Universidade de Alberta.

A província realizou em dezembro o primeiro leilão de energia renovável e prepara o fechamento de seis usinas movidas a carvão. O imposto da província ao carbono do transporte e de combustíveis de aquecimento subiu para 30 dólares canadenses (US$ 23) a tonelada em 1º de janeiro e prontamente estimulou uma mudança de combustível do carvão para o gás em Alberta, segundo relatório da Bloomberg New Energy Finance de 14 de fevereiro.

Mas em termos de benefícios ambientais as medidas são ineficazes, disse Hussey. A redução das emissões conseguida com a eliminação gradual da geração de energia com carvão "é quase exatamente igual" aos aumentos que ele espera ver com a produção maior de petróleo.

A estratégia de Alberta atinge um equilíbrio "pragmático" após décadas de negação e inação, disse Shannon Phillips, secretário de Meio Ambiente e Parques da província, em entrevista. "Precificar o carbono é a forma mais ecológica e flexível de lidar com o problema."

Não se pode subestimar a importância do setor de petróleo. Alberta detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo e a receita bruta da província com as areias petrolíferas foi de 36 bilhões de dólares canadenses em 2016. A produção deverá aumentar para 3,67 milhões de barris por dia até 2030, 53 por cento acima dos 2,4 milhões de barris de 2016, segundo a Associação Canadense de Produtores de Petróleo.

Lugares como a Califórnia e a Noruega enfrentam problemas semelhantes. A Noruega, no caso, é a maior produtora de petróleo da Europa Ocidental e a terceira maior exportadora de gás do mundo, mas obtém cerca de 97 por cento de sua eletricidade a partir de energia hidrelétrica e é líder mundial em vendas de veículos elétricos, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

Já na Califórnia, quarta maior produtora de petróleo dos EUA, o governo estabeleceu a meta de reduzir as emissões em 40 por cento até 2030. O estado está a caminho de gerar metade de sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2020 e três municípios estão empreendendo batalhas judiciais para responsabilizar cinco grandes petroleiras por contribuir para a mudança climática.

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