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Minas de platina do maior produtor mundial estão encolhendo

Felix Njini e Eddie van Der Walt

(Bloomberg) -- A euforia com a posse do novo presidente valorizou o rand e recuperou o sentimento dos investidores na África do Sul. Mas no subsolo, nas minas de platina do país, há muito poucos motivos para otimismo.

As produtoras da África do Sul, que respondem por cerca de 70 por cento da extração mundial de platina, estão fechando poços e cortando milhares de empregos. O motivo é que o rand valorizado, somado à estagnação dos preços do metal, está pressionando as margens de lucro.

O futuro parece igualmente sombrio, considerando que a demanda reduzida por motores a diesel e a ascensão dos carros elétricos ameaçam diminuir a necessidade pelo metal, usado para reduzir a poluição.

"O setor encolherá até que haja uma nova fonte de demanda", disse Bernard Dahdah, analista sênior de commodities do Natixis. "Provavelmente veremos mais operações fecharem."

As novas perdas do setor de platina, uma das principais fontes de receita com exportação, aumentarão a pressão sobre o presidente Cyril Ramaphosa, que busca estimular a economia, com crescimento projetado de apenas 1,5 por cento neste ano, e reduzir o índice de desemprego, de 27 por cento. A indústria local de platina gerou cerca de US$ 8 bilhões em vendas no ano passado e empregou mais de 175.000 pessoas, segundo a Chamber of Mines, organização que representa a maior parte das mineradoras.

Em todo o setor, os cortes estão se acumulando. A Impala Platinum Holdings fechou um poço da operação de Rustenburg, em janeiro, sinalizou o encerramento de mais três e demitiu 1.400 trabalhadores. A mineradora fechou 10 poços desde 2013. A rival Lonmin queimou um terço do caixa no último trimestre e pode cortar mais de 12.000 postos de trabalho em três anos, enquanto a principal produtora, a Anglo American Platinum, congelou os investimentos em novos projetos importantes.

Muitos dos problemas mais imediatos do setor estão ligados ao rand, que registrou valorização de cerca de 15 por cento em relação ao dólar nos últimos seis meses.

A valorização do rand é ruim para as produtoras de platina, que recebem em dólares, mas pagam a maior parte dos custos em rands. O valor da platina em rands caiu mais de 15 por cento desde meados de novembro.

Os prejuízos com a produção de platina provocarão um efeito negativo sobre as receitas de exportação e a conta-corrente da África do Sul, disse Mark Bohlund, economista da Bloomberg Economics Africa.

"Como a platina é o maior item de exportação da África do Sul, qualquer prejuízo do setor afetará a balança comercial", disse.

O novo presidente precisa de um plano urgente para gerar empregos para os milhares de trabalhadores afetados, disse Ross Harvey, analista do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA, na sigla em inglês).

"Em última análise, ele não é responsável pelo comportamento dos mercados, mas precisa de uma boa estratégia para gerar novos empregos no cinturão da platina."

--Com a colaboração de Arabile Gumede

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