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Europeus temem atraso tecnológico em relação a EUA e China

Helene Fouquet, Ania Nussbaum e Marie Mawad

27/03/2018 14h31

(Bloomberg) -- Na disputa global pelas tecnologias do futuro, a Europa corre o risco de ficar para trás.

É o que pensam os gênios reunidos na Iniciativa Disruptiva Conjunta Europeia (conhecida pela sigla JEDI), considerando que as americanas Google, Apple e Facebook e empresas de tecnologia artificial da China estão na frente na corrida pela supremacia tecnológica.

Entre os 117 integrantes da JEDI estão um ex-presidente da Deutsche Telekom (Rene Obermann), a primeira astronauta mulher da França (Claudie Haignere), o comandante da agência francesa de segurança cibernética (Guillaume Poupard) e o dirigente do Centro de Pesquisa em Inteligência Artificial da Alemanha (Wolfgang Wahlster). O grupo pede que as autoridades ajam com urgência.

"O que importa é a velocidade: velocidade na inovação, velocidade na execução e velocidade em termos de regulamentos inteligentes", disse Andre Loesekrug-Pietri, investidor que trabalhou durante uma década na China e participou da criação do grupo JEDI, em agosto. "Quem define a velocidade, define as normas. Se a Europa não mudar o ritmo, se tornará irrelevante."

A JEDI pede o estabelecimento imediato de um fundo pan-europeu de 1 bilhão de euros (US$ 1,2 bilhão) para projetos de pesquisa fundamental, com uma unidade ágil e pequena que levaria apenas dois meses para decidir sobre um projeto. O grupo não-governamental tem como modelo a Agência de Defesa de Projetos Avançados de Pesquisa (DARPA), órgão do Departamento de Defesa dos EUA que contribuiu para a criação do mouse de computador, de uma versão inicial do robô com inteligência artificial e do sistema precursor da internet.

Lentidão

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, se manifestaram sobre a necessidade de a Europa se esforçar mais para desenvolver tecnologias disruptivas, mas líderes do setor temem a falta de urgência na região. Considerando os complicados corredores do poder na Europa, a burocracia e a lentidão do processo decisório, vai demorar meses até que seja formada uma operação como a desejada pela JEDI, de acordo com dois funcionários do gabinete de Macron.

"Todas as iniciativas são boas, mas, no momento, os projetos são feitos em escala nacional e são muito pequenos, ou são feitos no nível da UE e o processo decisório é lento demais", afirmou Marwan Lahoud, integrante da JEDI e vice-presidente do conselho da empresa francesa de biometria e segurança Idemia.

O fundo de inovação da UE, chamado Horizon 2020, leva cerca de oito meses para revisar um projeto e então liberar qualquer montante. O fundo não está financiando pesquisa básica para invenções que definirão as referências da próxima década.

Esforços de Macron

A França tem manifestado explicitamente suas ambições tecnológicas desde que Macron assumiu a presidência, em maio. O governo dele vai revelar na quinta-feira um plano para aumentar os recursos e o apoio a projetos de inteligência artificial sob a direção de Cedric Villani, parlamentar que ganhou a Medalha Fields, equivalente a um Prêmio Nobel em matemática.

O gabinete presidencial promete que o plano estratégico de inteligência artificial terá investimentos "comparáveis aos da Coreia do Sul e da Finlândia" e que o dinheiro sairá do orçamento geral e de fundos de inovação já existentes para apoiar o ecossistema tecnológico. O Palácio do Eliseu admite que a França ficou de fora de boa parte da revolução digital, mas pode ir longe em inteligência artificial.

Macron, 40 anos, é conhecido pela habilidade com tecnologia e está ciente das ameaças comerciais e dos desafios tecnológicos que a Europa enfrenta. No final de uma visita de três dias à China, em janeiro, na qual ele pode observar o progresso tecnológico do país asiático, ele declarou que a UE precisa se "mover rapidamente".

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