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Produtores marfinenses de cacau podem perder aumento de preços

Olivier Monnier

(Bloomberg) -- Os preços do cacau subiram um terço neste ano, mas ainda é pouco provável que esse aumento se traduza em grandes ganhos para os agricultores da maior produtora mundial, a Costa do Marfim.

O país da África Ocidental usa vendas futuras para determinar o preço mínimo pago ao produtor, razão pela qual os aumentos recentes podem ter chegado tarde demais para a menor das duas colheitas anuais, que começa na semana que vem. Isso limitará a margem do presidente Alassane Ouattara para aumentar as tarifas dos agricultores.

Além disso, o setor cacaueiro da Costa do Marfim está se recuperando da crise da temporada passada, quando a queda dos preços levou os exportadores a deixarem inadimplentes milhares de toneladas em contratos, derrubando ainda mais os preços e gerando custos de mais de US$ 500 milhões ao país em pagamentos de apoio.

A Costa do Marfim provavelmente anunciará na quinta-feira a tarifa mínima para o produtor para a safra intermediária, que vai de abril a setembro. Em comparação com a safra principal, a colheita de meia-estação geralmente rende grãos menores, usados principalmente para processamento local.

A Costa do Marfim e a vizinha Gana, a segunda maior produtora, planejam começar a fixar as tarifas para o produtor juntas a partir da próxima safra anual, que começa em outubro.

O argumento para manter a tarifa:

O resultado mais provável é que o governo mantenha o preço estável, em cerca de 700 francos CFA (US$ 1,30) o quilo, especialmente após a crise do ano passado, disse Stephen Yeboah, pesquisador da Universidade de Lausanne e cofundador da Commodity Monitor, que estuda as commodities da África.

O órgão regulador realizou uma pré-venda de até 300.000 toneladas da safra intermediária em dezembro do ano passado em leilões, disseram pessoas a par do assunto na semana passada. O total contrasta com a projeção de produção do órgão regulador do cacau e do Ministério do Orçamento, de 450.000 a 500.000 toneladas, disseram as pessoas.

Qualquer redução no preço colocaria a popularidade de Ouattara em risco em meio a divisões crescentes na base do governo, disse Adeline Van Houtte, analista de pesquisa da Economist Intelligence Unit.

O argumento para aumentar a tarifa:

Os preços subiram 32 por cento em Londres neste ano em meio à incerteza em relação às safras da África Ocidental após a seca do início do ano e à expansão da demanda por chocolate.

Isso pode oferecer espaço para aumentar o preço, estabelecido depois que a crise do ano passado levou o governo a reduzir em mais de um terço, para o menor patamar desde 2012, a taxa pela colheita intermediária da safra passada. Isso manteve a estabilidade, em outubro, do preço da colheita da safra principal, que terminará neste mês.

O argumento para cortar a tarifa:

Considerando o fato de que os grãos da safra intermediária tendem a ter menor qualidade, aliado à incerteza em relação ao que acontecerá com os preços globais, pode fazer sentido reduzir ainda mais as tarifas dos agricultores, disse Edward George, chefe de pesquisa do Ecobank Transnational.

"Temos visto os preços do cacau ganharem força", disse. "O fato é que eles podem facilmente cair de novo."

--Com a colaboração de Baudelaire Mieu

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