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Investidores dos EUA se preparam para 200 dias de amargura

Lu Wang, Sarah Ponczek e Elena Popina

28/03/2018 15h18

(Bloomberg) -- Os investidores têm dificuldade para lembrar um movimento pior de queda nas bolsas americanas, mas a situação é menos grave do que aparenta.

A mente humana costuma acreditar que o pior é sempre agora. Não é o caso. Somente neste longo período de ganhos no mercado acionário dos EUA, ocorreram cinco correções como a deste momento. Na média, demora sete meses para as bolsas saírem do buraco. Por esta lógica, o nervosismo atual não será totalmente eliminado até agosto.

As perdas podem ser normais, mas não indolores, especialmente porque as ações que mais avançaram no passado recente são as que puxam o mercado para baixo agora. De todo modo, não é realista esperar que o mercado se recupere em uma trajetória ascendente em linha reta.

"Isso tudo é muito estressante", disse Michael Purves, estrategista-chefe global da Weeden. "É como fazer musculação depois de dois anos sem aparecer na academia. Parte disso é apenas a reação psicológica e emocional, é muito normal."
Desde 2009, as correções das bolsas dos EUA duraram, na média, 200 dias e provocaram queda acumulada de 14 por cento no S&P 500. Se o movimento pessimista atual terminasse nesta semana - o que é bastante improvável, dado que o índice só registrou quatro baixas consecutivas maiores do que 1,5 por cento - seria o segundo mais breve e o segundo menos acentuado de todos.

A impressão é tão ruim por causa da placidez das bolsas desde o último tombo. Ultimamente, é comum uma ação subir ou recuar 5 por cento, mas em 2016 e 2017, o S&P 500 passava meses e meses sem um dia com variação maior do que 1 por cento. Não é o que ocorre agora. O S&P 500 caiu 1,7 por cento na terça-feira, revertendo boa parcela do salto de 2,7 por cento na véspera.

"Tivemos um ambiente incrível de volatilidade baixa, mas a natureza dos mercados é subir e cair", disse Michael O'Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading. "Comparando com o comportamento normal dos mercados e com o comportamento deles durante a maior parte da minha carreira, até agora esse movimento de queda não é um evento tão importante. Em termos históricos, não passa de um soluço."

Portanto, a ruptura voltou a ser normal ? e o normal costuma ser difícil. É o que se vê nas ações de gigantes de tecnologia, grupo que gerou ganho três vezes maior do que o mercado como um todo desde 2016.

O índice NYSE FANG+ (que acompanha os papéis de Facebook, Apple, Netflix, Google e outras da categoria) sofreu sua maior queda até hoje na terça-feira: 5,6 por cento, eliminando US$ 180 bilhões em valor de mercado.

"Foi tanto dinheiro na direção das ações de tecnologia, a identificação emocional dos investidores com essas empresas famosas é muito maior", disse Julian Emanuel, estrategista-chefe de renda variável e derivativos da BTIG, em Nova York. ''As pessoas estão mais agitadas do que durante a queda de fevereiro porque todos achavam que ficaria tudo bem. As pessoas são naturalmente otimistas, então quando surgem as correções, são inesperadas e causam abalo emocional."

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