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Um obscuro negócio de US$ 3,5 bi provoca ressaca em Wall Street

Donal Griffin

28/03/2018 14h27

(Bloomberg) -- A implosão de uma empresa sediada entre as vinícolas da África do Sul causa ressaca em um dos segmentos mais obscuros de Wall Street.

Quando as ações da Steinhoff International Holdings desabaram em dezembro, bancos de investimento globais perderam mais de US$ 1 bilhão com os chamados derivativos corporativos. Isso equivale a quase um terço da receita gerada no ano passado por essas operações, que permitem que grandes clientes usem ações para financiar investimentos.

A magnitude da perda abalou um negócio que cresceu na esteira da alta das bolsas e funciona como importante fonte de recursos para os clientes favoritos dos bancos: bilionários, fundos soberanos e conglomerados chineses ávidos por aquisições. Alguns bancos estão engatando a marcha à ré, vendendo ativos ou questionando o tamanho de transações futuras. Suas áreas de risco andam fazendo mais perguntas. Outros enxergam oportunidades e costuram operações mais complexas para clientes como o fundador da Zhejiang Geely Holding Group, Li Shufu.

"Alguns bancos estão tomando distância, outros bancos estão aproveitando a brecha", disse David Stowell, professor de finanças da Northwestern University, em Evanston, no Estado americano de Illinois, que antes trabalhava na área de renda variável do JPMorgan Chase. "Não há menos competição após o que aconteceu com a Steinhoff."

O caso da Steinhoff envolveu um empréstimo de margem, derivativo bastante comum que permite que um cliente tome empréstimo de um banco usando suas ações como garantia.

O negócio vem crescendo porque a valorização das ações induziu clientes a realizar mais transações desse tipo. Agora, o segmento supera as negociações com ouro e petróleo. Os 12 maiores bancos faturaram cerca de US$ 3,5 bilhões com esses contratos em 2017, 28 por cento mais do que cinco anos antes, de acordo com a Coalition Development. Neste mesmo período, a negociação direta de ações e títulos diminuiu.

É um segmento lucrativo para os bancos de Wall Street porque os produtos são complexos, feitos sob medida para o cliente e não negociados em bolsa. Ainda assim, com o aumento da concorrência, os bancos vêm assumindo riscos maiores por menos retorno.

'De longe a maior perda'

Em 2016, o então presidente do conselho da Steinhoff, Christo Wiese, tomou emprestado 1,25 bilhão de euros (US$ 1,5 bilhão) de um grupo de bancos, dando ações da empresa como colateral.

A operação deu errado quando as ações da Steinhoff caíram 80 por cento em apenas dois dias em dezembro devido a irregularidades contábeis. A diretora financeira do JPMorgan Chase, Marianne Lake, disse que era "de longe a maior perda nesse negócio vista desde a crise".

O caso da varejista global Steinhoff, que tem base na região de vinícolas da África do Sul, é um lembrete de que esse tipo de financiamento "não é um negócio sem risco", disse Stephane Manchet, responsável por soluções em renda variável para Europa, Oriente Médio e África do Mitsubishi UFJ Financial Group, em Londres.

Os profissionais que montam essas operações agora enfrentam mais perguntas de seus colegas das áreas de risco, que examinam mais a fundo carteiras de empréstimos de margem que chegam a vários bilhões de dólares.

--Com a colaboração de Cathy Chan e Laura J. Keller

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