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Joaquim Barbosa deve se filiar ao PSB para disputar Presidência

Simone Iglesias e Samy Adghirni

29/03/2018 17h03

(Bloomberg) -- O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e relator do mensalão Joaquim Barbosa deverá se filiar ao PSB nos próximos dias para concorrer à Presidência da República. Barbosa esteve em Brasília nesta quinta-feira para finalizar conversas com a cúpula do partido iniciadas em novembro do ano passado.

Desde janeiro, o PSB não acreditava mais na filiação de Barbosa e, sem que as negociações avançassem, dois integrantes do partido, os ex-deputados Beto Albuquerque e Aldo Rebelo lançaram pré-candidaturas. Paralelamente, setores do PSB de São Paulo negociavam apoio ao tucano Geraldo Alckmin, enquanto no Nordeste, integrantes do partido pensavam em aproximação com o PT. Com a filiação de Barbosa, a situação muda, disse à Bloomberg o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG). "Há 90% de chance de ele se filiar. Se vier, é inevitável sua candidatura", disse .

Para evitar frustração, o partido quer sacramentar a filiação antes de anunciá-la publicamente, pois teme que Barbosa acabe desistindo. Nas últimas semanas, o ex-ministro acelerou as conversas, marcando reuniões com os principais líderes do PSB: os governadores de Pernambuco, Paulo Câmara; do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg; e o vice-governador de São Paulo, Márcio França, que assumirá o governo do estado na próxima semana.

Segundo integrantes do partido, Barbosa percebeu que diminuíram as resistências internas à sua candidatura. Mesmo sendo um nome forte nas ruas, com apenas 14% de rejeição e 5% de intenções de voto segundo pesquisa Datafolha, o ex-ministro não tinha simpatia interna de alguns caciques, pela inexperiência política.

Foi determinante para que o jogo virasse a favor de Brabosa a decisão do tucano João Doria de disputar o governo de São Paulo. Segundo fontes do PSB, França esperava ser o candidato natural ao governo apoiado por Geraldo Alckmin (PSDB). Em contrapartida, tentaria levar o PSB a apoiar o tucano à presidência da República. Já que não terá o apoio do PSDB, pesou para França a possibilidade de ter no maior colégio eleitoral do país dois palanques atrativos: além de Alckmin, o de Barbosa, o algoz do mensalão.

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