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Walmart vira aliado de Xi Jinping no combate à poluição na China

Bloomberg News

29/03/2018 14h13

(Bloomberg) -- O presidente da China, Xi Jinping, prometeu reduzir a poluição e dar prioridade aos padrões de vida e não ao crescimento desenfreado. Do outro lado do globo, em Bentonville, Arkansas, nos EUA, a maior empresa de varejo do mundo aderiu à causa.

Na quinta-feira, o Walmart se comprometeu a cortar 50 milhões de toneladas de emissões de carbono de suas operações chinesas -- tentando ser um bom cidadão corporativo em um país no qual realiza investimentos corporativos cada vez mais ambiciosos. A China é, atualmente, o único país onde a empresa de varejo anunciou um plano específico para as emissões.

O Walmart afirma que as reduções planejadas são equivalentes às emissões do consumo de eletricidade anual de 40 milhões de residências chinesas. Nos últimos anos, um número maior de empresas estrangeiras tem lançado produtos ecológicos na China ou ampliado os benefícios dos trabalhadores para manter a simpatia de Pequim. O Starbucks oferece um plano de saúde que se estende aos pais dos funcionários chineses e a Volvo está investindo milhões em uma fábrica na China que produzirá carros elétricos de alto desempenho.

As autoridades chinesas tiveram que aplicar políticas mais ecológicas para solucionar o problema de cidades muitas vezes envoltas em poluição e para combater a incidência crescente de doenças como câncer de pulmão. Xi assumiu um papel internacional de maior importância em relação ao meio ambiente quando o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou seu país do Acordo de Paris. Ganhar na China é cada vez mais importante para o Walmart, que está reduzindo os preços em suas lojas dos EUA para se proteger da concorrência da Amazon.com.

A empresa de varejo acredita que suas metas estão alinhadas com as prioridades de Pequim. "Definitivamente há uma atitude positiva do governo chinês em relação às metas que estamos estabelecendo", disse Laura Phillips, vice-presidente sênior de sustentabilidade da empresa no Arkansas, por telefone.

Promessa global

A meta de 50 milhões de toneladas será atingida até 2030 e representa apenas cerca de 5 por cento do total prometido pelo Walmart de cortar 1 bilhão de toneladas de emissões em todo o mundo até 2030. Na China, o plano do Walmart envolve a modernização de fábricas com instalações e iluminação com eficiência energética e o trabalho com fornecedores para mudar a matriz para energias renováveis.

Como muito do que o mundo consome é fabricado na China, a redução das emissões no país pode ter um grande impacto global, disse Justin Wu, chefe da Bloomberg New Energy Finance para a região Ásia-Pacífico. "Para as corporações, o santo graal para conquistar algo significativo em termos de redução das emissões é fazer algo significativo na China", disse.

O Walmart afirma que a meta mais recente é baseada em um programa de eficiência energética industrial existente que economiza US$ 40 milhões em despesas anuais para as fábricas chinesas participantes.

A iniciativa do Walmart pode estimular outras corporações a definirem metas de redução das emissões de carbono, disse Wu, analista da BNEF.
"Se o Walmart influenciar a Alibaba a dizer que quer fazer alguma coisa ou se os clientes comprarem no Walmart da China por causa dessa meta, e não em um supermercado chinês, o resultado pode ser significativo", disse.

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