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Acabou a festa na Sony? Homem de finanças assume como CEO

Yuji Nakamura e Yuki Furukawa

02/04/2018 12h16

(Bloomberg) -- Quando se trata de processar números ou eliminar negócios ruins, ninguém na Sony tem sido tão preciso quanto Kenichiro Yoshida. Agora CEO, ele enfrenta uma tarefa mais difícil: recuperar parte da mágica perdida.

Força motriz da reviravolta da Sony nos últimos cinco anos, quando estava encarregado das finanças, o reservado executivo de 58 anos assumiu o cargo mais elevado da empresa no sábado, 31 de março. Os investidores o adoram, mas os gerentes que trabalharam com ele dizem temer o fato de ele não ter a mesma adoração pelos tipos de aparelhos que transformaram a Sony em uma potência.

A Sony está tendo lucros recorde novamente, mas já não produz os equipamentos mais legais do mundo. A empresa que nos deu o Walkman e a TV a cores Trinitron se transformou em uma miscelânea pouco inspiradora que inclui uma provedora de seguros e uma fabricante de semicondutores, além de consoles de Playstation e filmes. Outrora classificada como a marca número 1 pelos consumidores americanos, a Sony e seu novo CEO precisam de novos sucessos para não serem deixados ainda mais para trás pela Apple e pela Samsung.

"Yoshida foi basicamente encarregado de pegar uma empresa envelhecida e tentar torná-la jovem novamente", disse Damian Thong, analista da Macquarie Group em Tóquio. "Há uma tensão entre o desejo dele de manter lucros estáveis e de assumir os riscos necessários para estimular a inovação. O desafio será equilibrar os dois lados."

É raro que diretores financeiros sejam escolhidos para liderar empresas que não estejam no meio de grandes reestruturações, segundo Stephen Kaplan, professor da Escola de Negócios da Universidade de Chicago. Os diretores financeiros, disse, costumam ser menos competentes para construir empresas do que para tirá-las de buracos. Ainda assim, uma análise da Bloomberg sobre os dados de preços das ações sugere que os diretores financeiros que viraram CEOs tendem a ter bom desempenho. Nos 28 casos, desde meados da década de 1990, em que grandes corporações não financeiras promoveram diretores financeiros ao cargo máximo, as ações tiveram desempenho médio duas vezes melhor do que o mercado como um todo durante o mandato deles.

Em 2013, quando o ex-CEO Kazuo Hirai transformou Yoshida em diretor financeiro e em seu assistente mais próximo, a Sony definitivamente estava em um buraco profundo. Os prejuízos haviam totalizado mais de US$ 6 bilhões nos cinco anos anteriores.

Prometendo que não haveria "vacas sagradas", Yoshida deixou cair ou eliminou uma divisão inchada depois da outra: primeiro laptops, depois TVs e smartphones. A humildade e a seriedade discreta -- características especialmente apreciadas no Japão -- ajudaram Yoshida a conquistar apoio mesmo quando cortou 20.000 empregos, segundo vários gerentes da Sony, que falaram sob condição de anonimato. Menos pomposo que Hirai, Yoshida não tinha medo de fazer perguntas ou admitir que não entendia algo, e conhecia os números de trás para frente, disseram.

Cinco anos depois, é difícil questionar os resultados. A Sony está ganhando mais dinheiro do que nunca, o preço das ações mais do que triplicou e há US$ 12 bilhões em dinheiro no balanço -- um caixa que dá à Sony muito espaço para manobra, e também para testar a visão de Yoshida.

"O conselho aposta que ele conseguirá deixar de ser um mero executor e passará a ser um estrategista versátil", disse Elena L. Botelho, sócia da consultoria ghSMART e coautora de "The CEO Next Door", livro de 2018 sobre liderança. "O fato de uma pessoa ter conseguido uma recuperação notável do ponto de vista dos custos não a torna automaticamente capaz de liderar o negócio como um todo e fazê-lo crescer."

--Com a colaboração de Jason Clenfield Pavel Alpeyev Brian Fowler e Sun Choi

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