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Infiniti ataca BMW e Audi em aposta nos carros elétricos

Ma Jie e Nao Sano

02/04/2018 14h13

(Bloomberg) -- A Infiniti está retomando o ataque à BMW e à Audi.

A marca premium da Nissan Motor quer usar as transformações estruturais que tornaram possível a mudança do setor em direção aos carros elétricos e autônomos -- como a cabine maior e a redução dos componentes sob o capô -- como uma oportunidade de incorporar um toque japonês de simplicidade e espaço aos seus modelos. Isso significa uma abordagem minimalista dos interiores com o objetivo de reduzir botões e controles, a exemplo da Apple.

"Há uma clara redução do elemento mecânico na marca e isso se tornou uma fonte de inspiração para nós", disse Alfonso Albaisa, chefe de design da Nissan, em entrevista em um showroom reformado recentemente, no centro de design da Infiniti, perto de Tóquio. "Foi assim que nós nos embrenhamos no DNA japonês."

Após perder para rivais alemãs por décadas, a Infiniti tem um grande desafio para reduzir a diferença -- a BMW vendeu oito vezes mais carros mundialmente no ano passado. Mas a Infiniti aposta que a transformação do setor mudará as regras e a fabricante de veículos prevê que em 2025 metade de suas receitas virá de veículos elétricos.

O novo foco nas raízes japonesas da marca é uma ruptura em relação ao toque latino da linguagem de design antes aplicada por Albaisa, o cubano-americano que foi promovido a chefe de design da Nissan como um todo após desempenhar essa função só na Infiniti. Os modelos anteriores não conseguiram estabelecer um caráter claro para a Infiniti, dando à marca uma oportunidade de se reinventar, disse Ken Miyao, analista da consultoria Carnorama.

"A Infiniti tem uma identidade de marca ambígua, não parece uma autêntica marca japonesa", disse Miyao. "No mundo premium precisa haver um lugar para 'wa' e seria bom enfatizar isso", disse, referindo-se ao conceito da cultura japonesa que significa harmonia e unidade pacífica.

O primeiro modelo que anuncia esse novo rumo é o conceito Q Inspiration, um sedã revelado no Salão do Automóvel de Detroit deste ano que tem conjuntos de motor e transmissão eletrificados e tecnologia de direção autônoma. A Infiniti suprimiu recursos e botões supérfluos na cabine do carro, algo que segundo Albaisa encarna o conceito de "ma", o domínio sereno e aberto do espaço.

O novo direcionamento também faz parte de um esforço de expansão que vai além dos EUA, país onde a Infiniti foi fundada em 1989 e que ainda representa mais da metade das vendas. Em 2012, a Infiniti estabeleceu sua sede em Hong Kong apostando na demanda da China, que deverá ultrapassar os EUA como o maior mercado para veículos de alto padrão. No Japão, a Nissan vende alguns modelos Infiniti sob sua marca principal, já que não lançou a marca premium oficialmente em seu país de origem.

Com 30 anos de empresa e formado em Nova York, Albaisa se descreveu como punk na juventude e projetou alguns dos modelos mais inovadores da Nissan, como o Juke. Primeiro chefe de design estrangeiro da empresa, ele passou os últimos 12 meses estudando a cultura japonesa, incluindo entrevistas com artesãos tradicionais que trabalham com cerâmica e madeira.

"Isso começou a influenciar a minha maneira de pensar o nosso trabalho e de ver a tecnologia", disse Albaisa. "As pessoas sempre acham que eu vou fazer algo radical ou de vanguarda. Eu não sou necessariamente assim. Eu sou apenas incomum."

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