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Petróleo de xisto pode saciar apetite das refinarias dos EUA

Christopher Sell

02/04/2018 14h17

(Bloomberg) -- Mais de três anos após a grande queda dos preços, a disputa entre o xisto e a Opep continua sendo a narrativa dominante para o petróleo. Os cortes coordenados do grupo de produtores com a Rússia reafirmaram parte do controle sobre o mercado, mas o crescimento vertiginoso da produção dos EUA ainda domina as manchetes.

Será possível que uma terceira variável esteja prestes a sacudir o mercado?

Um número cada vez maior de analistas demonstra preocupação não tanto com o volume de petróleo vindo de formações de xisto como a Permian, mas sim com o tipo que está sendo produzido. Há uma diferença crescente entre o que os EUA estão bombeando -- petróleo bruto de baixa densidade definido como tendo alto grau API -- e o petróleo mais pesado que as refinarias querem, disse Martijn Rats, chefe de pesquisa do mercado de petróleo do Morgan Stanley.

"Todo o crescimento do xisto dos EUA é de petróleo muito leve com grau API de 40 ou mais", disse Rats. "Se você observar o uso das refinarias dos EUA, o grau médio que as refinarias processam é de 32. Ou seja, há um crescente descompasso entre o que as petroleiras produzem e o que as refinarias tomam."

Há muito óleo leve no mercado no momento. Os dados mais recentes da Administração de Informações de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês) mostraram que a produção dos EUA aumentou em 26.000 barris por dia, para um recorde de 10,43 milhões. Isso ocorre devido ao xisto e, mais especificamente, à bacia de Permian.

Graças à sua capacidade quase constante de produzir petróleo, a bacia de Permian aumentou a produção em mais de 1 milhão de barris por dia desde o início de 2017. Atualmente produz 3,17 milhões, segundo a Rystad Energy, mais do que as potências da Opep Emirados Árabes Unidos e Kuwait.

O problema é que, durante o processo de refino, este óleo leve rende volumes menores de destilados médios, como diesel e combustível de aviação, que são duas áreas importantes de crescimento da demanda por combustível, disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank A/S. São cada vez maiores as preocupações a respeito da "real utilidade do óleo de xisto" para as refinarias, disse.

Dados recentes da EIA mostram que o grau API médio do petróleo bruto processado pelas usinas americanas não está realmente aumentando, o que sugere que as refinarias não estão dispostas a tomar muitos barris de xisto mais, disse Rats.

Se a demanda por petróleo leve dos EUA diminuir, o preço do óleo de xisto em comparação com referências como o West Texas Intermediate pode cair, pelo menos em um primeiro momento, disse Giovanni Staunovo, analista de petróleo do UBS Group.

"Um desconto maior pelo xisto em relação a outros petróleos de referência provavelmente vai desacelerar o crescimento da produção", disse Staunovo. Futuramente, contudo, o mercado faria seu trabalho. O óleo de xisto mais barato pode estimular as refinarias a ajustar seus processos para absorver volumes maiores de óleo leve ou "apoiar a demanda do exterior", disse.

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