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Bolsas de criptomoedas cobram caro para cotar tokens: Autonomous

Camila Russo

(Bloomberg) -- Os empreendedores estão começando a perceber que seus sonhos de financiamento fácil com criptomoedas custam caro.

As vendas de tokens digitais estão possibilitando que novas startups captem recursos rapidamente. No entanto, esquivar o mundo do capital de risco e outros canais consolidados de Wall Street tem um preço: as plataformas de trading de criptomoedas podem cobrar 10 vezes mais para cotar tokens do que as bolsas tradicionais cobram para os títulos, segundo um relatório publicado na terça-feira pela Autonomous Research.

Os custos de listar uma criptomoeda variam de US$ 1 milhão "para um token com uma imagem razoavelmente boa a US$ 3 milhões para uma oportunidade de conseguir liquidez rapidamente", escreveu a Autonomous Research, que advertiu que os números se baseiam em conversas entre participantes do mercado e não são exatos. Os valores se comparam com cerca de US$ 125.000 a US$ 300.000 - além de US$100.000 a US$ 500.000 em taxas anuais - cobrados pelas bolsas para cotar títulos plenamente registrados, segundo o relatório.

Uma venda de tokens digitais oferece "um caminho conhecido à liquidez", mas que, "em muitos aspectos, é mais caro e beneficia o Velho Oeste dos fornecedores de infraestrutura dos mercados de capitais de criptomoedas", de acordo com o relatório.

As startups cobrem essas taxas financiando excessivamente seus projetos ao realizar as chamadas ofertas inicias de moedas (ICOs, na sigla em inglês). Algumas empresas usaram ICOs para acumular de cinco a dez vezes mais que o total normalmente reunido por empresas de tecnologia financeira através de outros canais, segundo o relatório. Startups de blockchain captaram mais de US$ 3 bilhões em ICOs neste ano, em comparação com cerca de US$ 270 milhões em rodadas de capital de risco, segundo dados compilados pela CoinDesk.

Os tokens são mais atraentes se o comprador souber que pode negociá-los facilmente, e é por isso que muitas vezes uma cotação em bolsa se torna fundamental para o sucesso da ICO. As equipes de vendas se empenham para convencer possíveis compradores e órgãos reguladores precavidos de que seus tokens não são títulos.

Os assessores das transações costumam cobrar cerca de 5 por cento - semelhante à taxa de aproximadamente 3 por cento a 8 por cento cobrada pelos banqueiros de investimento em aberturas de capital - além de gastos de marketing, segundo a Autonomous Research.

Equipes bem conectadas com boa reputação ou que demonstram tração podem vender tokens de modo privado, segundo a empresa. Telegram, por exemplo, captou mais de US$ 1,7 bilhão.

"Temos tanta complexidade nos mercados acionários tradicionais que não deveria surpreender que algo semelhante esteja surgindo nas criptomoedas", afirmou a Autonomous Research.

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