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Fraga vê inflação abaixo da meta do Banco Central neste ano

Cristiane Lucchesi e David Biller

(Bloomberg) -- Está praticamente certo que a inflação no Brasil ficará abaixo da meta de 4,5 por cento do governo para 2018, disse Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do país.

"Infelizmente, isso veio com a recessão profunda", disse ele em uma entrevista, acrescentando que a melhor política monetária também ajudou a derrubar a inflação. O índice IPCA de preços ao consumidor tem permanecido abaixo do piso de 3 por cento da faixa oficial em 2018. Fraga disse que é "possível, mas improvável" que a inflação fique tão baixa assim no final do ano.

Os analistas reduziram suas expectativas de inflação pela nona semana consecutiva, para 3,54 por cento, disse o Banco Central em 2 de abril. A inflação subjugada pode dar aos diretores do BC liberdade para continuar flexibilizando a política monetária, o que ajuda a estimular ainda mais a recuperação da maior economia da América Latina.

"Agora estamos entrando em um território muito incerto para o futuro", disse Fraga, sócio da empresa de fundos de hedge e de private equity Gávea Investimentos Ltda. Ele disse que os diretores do BC já estão olhando para os números prováveis ??da inflação do próximo ano para definir as taxas de juros no curto prazo.

A taxa básica de juros Selic terminará 2018 em 6,25%, um quarto de ponto percentual abaixo de sua faixa atual, de acordo com a pesquisa semanal Focus publicada pelo Banco Central.

"Com o desemprego elevado, muita folga na economia em geral, é natural que o que se veja primeiro seja algum consumo e isso crie a dinâmica inicial da recuperação", disse Fraga. A recuperação é "suave", segundo ele.

O Produto Interno Bruto do Brasil subiu 1% em 2017, após dois anos consecutivos de queda de 3,5%. O crescimento desacelerou em cada trimestre - de 1,3% no período encerrado em março de 2017 para apenas 0,1% no quarto trimestre.

Fraga, que foi presidente do Banco Central do Brasil de 1999 a 2002, vê um "padrão de contenção parcial" nos investimentos antes da eleição presidencial de outubro. As incertezas são grandes uma vez que mais de uma dúzia de políticos consideram se candidatar.

"Na maior parte, as pessoas tendem a esperar porque estamos tão perto das eleições", disse Fraga sobre investimentos diretos. "Além disso, muitos setores da economia ainda têm excesso de capacidade."

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