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PDVSA processa traders de petróleo por fraude multimilionária

Lucia Kassai

04/04/2018 14h57

(Bloomberg) -- Nenhum país da América é considerado mais corrupto do que a Venezuela. Existem tantas histórias de propinas e tráfico de influências que fica difícil acompanhar.

Mas agora, em um relato detalhado nos tribunais dos EUA, é o próprio governo -- ou, para ser exato, o truste da gigante estatal de petróleo -- que alega ter sido vítima de um esquema de manipulação de preços de leilões de petróleo ao longo de uma década que lhe custou bilhões de dólares.

O estratagema, supostamente executado por uma firma de trading de petróleo pequena e quase desconhecida de Miami, tem todas as características de um thriller de detetives de TV: um servidor de computador clonado; um geek da computação conhecido como "o nerd"; uma ex-esposa.

Também existe um trader de petróleo com uma promessa misteriosa: "Eu garanto que você vai ganhar". Alguns dos supostos vencedores são nomes familiares como subsidiárias da Glencore, da Trafigura Beheer e da Vitol Group, entre os mais de 40 indivíduos e empresas que respondem como réus.

Para alguns, as acusações apresentadas pela gigante do petróleo Petróleos de Venezuela são uma nota de rodapé no atual caos da Venezuela. Os EUA sancionaram mais de uma dezena de altos funcionários e de chefes militares do governo do presidente Nicolás Maduro por violações de direitos humanos. Contudo, o litígio é acompanhado com atenção pelos traders de petróleo e por investidores em dívida ansiosos para encontrar formas de serem reembolsados depois que a empresa deixou de pagar muitos de seus títulos nos últimos meses.

"O interesse transcende o mundo do petróleo", disse Russ Dallen, diretor da Caracas Capital. "Detentores de dívida e credores estão tentando descobrir como podem colocar as mãos no dinheiro que a PDVSA pode receber na ação judicial."

Esquema

No centro do suposto esquema estavam os leilões, conhecidos no setor como licitações, realizados pela PDVSA para importar ou exportar milhões de barris de derivados de petróleo. As licitações da PDVSA são cobiçadas entre os traders devido aos grandes volumes de combustível, como gasolina e nafta, que a empresa vem comprando e vendendo ao longo dos anos. Apenas um punhado de participantes do mercado é convidado para participar da licitação eletrônica.

A ação judicial alega que a trader de petróleo Helsinge subornou um ex-funcionário de tecnologia da PDVSA -- "o nerd" -- para que ele conectasse os computadores da empresa aos servidores da PDVSA. Assim, a Helsinge obtinha "acesso direto" a informações secretas sobre leilões de petróleo em tempo real. A Helsinge então usava as informações, como detalhes sobre os lances das concorrentes, para ganhar essas licitações rentáveis, alega a ação judicial, muitas vezes por margens suspeitosamente pequenas.

Em outros casos, a empresa vendia informações privilegiadas para tradings rivais para que elas fizessem lances vencedores, segundo a ação judicial. A Helsinge não cobrava barato. Um trader disse à Bloomberg que a comissão inicial era de cerca de US$ 200.000 por 500.000 barris -- por volta de 10 vezes a comissão de um corretor na época. A Helsinge era formada por dois ex-traders da PDVSA, Francisco Morillo e Leonardo Baquero.

A Helsinge e Morrillo preferiram não comentar. Porta-vozes da Trafigura e da Vitol preferiram não comentar e a Glencore não respondeu a e-mails com pedidos de comentários. Baquero não respondeu aos pedidos de comentários. A PDVSA não respondeu a um telefonema e a um e-mail com pedidos de comentários.

O suposto esquema foi descoberto, de acordo com o truste da PDVSA, quando o disco rígido do computador de Morillo foi entregue pela ex-esposa de Morillo. Vanessa Friedman tinha ficado com o disco rígido após conseguir uma ordem de restrição temporária contra o marido em 2010, que o impediu de ter acesso ao computador. Friedman preferiu não comentar.

--Com a colaboração de Fabiola Zerpa

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