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Auckland caminha para se tornar potência gastronômica global

Amy Louise Bailey

05/04/2018 14h27

(Bloomberg) -- Se tem uma coisa que a maioria das pessoas sabe sobre Auckland, é que a maior cidade da Nova Zelândia tem uma beleza natural impressionante. Em vez de pensar nela como um centro cultural progressivo, as pessoas imaginam os portos reluzentes, as montanhas verdejantes e as ilhas intocadas ao largo do litoral. Mas Auckland se tornou um dos destinos culinários mais inovadores do Pacífico Sul - rivalizando até com Sidney e Melbourne.

Um exemplo: no Orphan's Kitchen, um pequeno restaurante no badalado bairro de Ponsonby, o chef Tom Hishon prepara um frango assado na brasa com um molho de kiwi e tortillas roxas feitas de kumara, uma variedade local de batata doce. O manifesto do chef faz referência à tradição maori e ao clima irregular da Nova Zelândia; os clientes são convidados a assistir ao pôr do sol em um pátio ao ar livre, e há colmeias no segundo andar. De vez em quando, o café da manhã oferece menus de degustação.

Qualquer nativo de Auckland admitirá que isso era algo impensável há não muito tempo. Na década de 1990 e nos primeiros anos da década de 2000, as opções de restaurante se limitavam a lugares convencionais com toalhas de mesa brancas, onde a maioria das mesas tinha uma vela de aniversário em cima de um bolo de chocolate. Agora, a cidade está florescendo com cafés elegantes que se tornaram pontos de encontro, restaurantes cheios de estilo, bares especializados em sobremesas e mercadinhos animados.

"Auckland atrai mais de 2,6 milhões de visitantes internacionais a cada ano, e o número de turistas cresceu quase 8 por cento ao ano nos últimos cinco anos - e não há sinais de desaceleração", explica Steven Armitage, da Auckland Tourism. Fatores como o vírus Zika e a intensificação da instabilidade política em todo o mundo estão levando os turistas a buscar refúgios seguros e inexplorados, e a Nova Zelândia surgiu como uma opção interessante. O boom dos restaurantes não poderia ter vindo em melhor hora.

Começo lento

A lenta transformação culinária de Auckland começou depois que a cidade sediou o evento de iatismo America's Cup em 2000, o que levou à renovação da região central Viaduct, que se tornou um centro social de diversos usos. Surgiu então uma série de restaurantes criativos, ávidos para traduzir os recursos naturais da região em pratos simples, mas sofisticados. Ingredientes locais, como polvo e kumara, deixaram de ser relativamente desconhecidos e se tornaram as estrelas dos pratos.

"O Viaduct foi o primeiro verdadeiro recinto de hospitalidade de Auckland", diz Nicola Waldren, gerente-geral da Associação de Restaurantes da Nova Zelândia. Quase duas décadas depois, houve um efeito dominó de criatividade, diz ela, que transbordou do Viaduct para áreas novas, como Ponsonby e Britomart, um bairro movimentado no antigo distrito central de negócios. Em qualquer lugar que você vá na cidade, é provável que você encontre um estabelecimento que seja tão criativo - ou pretenda ser tão criativo - quanto o Orphan's Kitchen.

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