Bolsas

Câmbio

Berlim supera Frankfurt em busca por imóveis comerciais

Andrew Blackman e Stephan Kahl

(Bloomberg) -- Os empreendedores do setor de tecnologia, com seus laptops em edifícios de tijolos urbanos e chiques que antigamente tinham vista para o Muro de Berlim, estão revelando-se mais atraentes para os investidores imobiliários do que os banqueiros que fogem de Londres por causa do Brexit.

Jovens criativos como os da Factory - um espaço de trabalho para funcionários da empresa de transporte Uber Technologies, da plataforma de compartilhamento de áudio SoundCloud e da empresa de software de atendimento ao cliente Zendesk - estão competindo com burocratas e lobistas por escritórios na capital alemã. Com taxas de vacância quase inexistentes, Berlim ultrapassou Frankfurt como o mercado mais badalado do país.

No ano passado, os investidores gastaram mais em imóveis comerciais na cidade do que em qualquer outro lugar da Alemanha, e a capital desbancou o centro financeiro de Frankfurt. A demanda crescente fez com que o preço de compra do espaço de escritório em Berlim quase triplicasse nos últimos cinco anos, para 5.200 euros (US$ 6.400) por metro quadrado, consolidando a transformação da cidade, que deixou de ser um conjunto de edifícios abandonados e se tornou um dos lugares mais atraentes da Europa.

"O fluxo de jovens ajudou a mudar a imagem da cidade", disse Helge Scheunemann, chefe de pesquisa sobre a Alemanha da Jones Lang LaSalle. O surgimento de Berlim como uma incubadora de startups de tecnologia deu uma injeção de ânimo ao mercado imobiliário da capital alemã, o que despertou o interesse dos investidores, disse ele.

O fundo soberano de investimento de Cingapura é o mais recente a colocar na mira o mercado de imóveis comerciais de Berlim. O GIC formou uma parceria com a Caleus Capital Investors, uma empresa local especializada na compra de imóveis que precisam ser reformados. Seus projetos incluem o TechnoCampus Berlin, que transformou instalações industriais antigas no bairro Siemensstadt em espaço de escritórios.

"Para nós, Berlim é o mercado imobiliário mais atraente da Alemanha", disse Massimo Massih, sócio administrativo da Caleus. "Projetamos que essa tendência positiva vai continuar", graças à vibrante cena tecnológica e de startups da cidade. O GIC não quis comentar sobre o empreendimento.

O volume de dinheiro investido em escritórios e outros imóveis comerciais de Berlim cresceu 46 por cento no ano passado, para quase 8 bilhões de euros, segundo dados compilados pelo BNP Paribas Real Estate. Foi mais que o aumento de 12 por cento registrado em Frankfurt, para 7,5 bilhões de euros, embora a cidade esteja se preparando para a chegada de milhares de banqueiros oriundos de Londres por causa da saída do Reino Unido da União Europeia.

Impulsionada pelo fluxo de novos trabalhadores, a taxa de vacância dos escritórios de Berlim caiu para apenas 2 por cento no ano passado, contra 5 por cento em 2013, segundo estimativas da Savills. Isso ajudou a elevar os aluguéis de 12,30 euros por metro quadrado para uma média de 19,20 euros durante esse período, de acordo com a corretora.

"Embora os preços tenham aumentado, a Alemanha ainda continua relativamente atraente em comparação com outros lugares famosos do mundo", disse Scheunemann. No entanto, "a falta de espaço disponível - tanto para alugar quanto para comprar - limita o potencial do mercado, e não devemos necessariamente esperar algum recorde neste ano".

--Com a colaboração de Stefan Nicola

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos