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CEO da Ahold é pressionado a abandonar defesa contra aquisição

Wout Vergauwen e Lisa Pham

(Bloomberg) -- O novo CEO da Royal Ahold Delhaize, Frans Muller, enfrenta uma pressão crescente para acabar com uma tática de defesa contra aquisição e se tornar mais ativo na consolidação americana.

Uma das primeiras tarefas à espera do novo CEO será decidir se a empresa belgo-holandesa deve manter sua estrutura legal de "stichting", que pode barrar ofertas de aquisição sem dar aos acionistas a possibilidade de votar. O grupo acionista holandês VEB e a investidora ativista CIAM exigiram ter voz para poder decidir se a empresa deveria manter essa defesa.

"As poison pills são uma má gestão empresarial", escreveu Bruno Monteyne, analista da Sanford C. Bernstein. A Ahold precisa ganhar escala nos EUA e uma boa maneira de fazer isso seria realizar ali uma fusão de sua unidade com a concorrente Kroger, disse o analista nesta quinta-feira, depois que a Ahold anunciou que em julho Muller substituirá o CEO Dick Boer, de 60 anos, que vai se aposentar.

A aquisição da Whole Foods Market pela Amazon.com no ano passado obrigou os varejistas do mundo inteiro a repensarem uma melhor maneira de distribuir os produtos comestíveis aos clientes. Muller, 57, foi vice-presidente e diretor de integração após a fusão que formou a empresa em 2016. Antes disso, Muller liderou a empresa belga Delhaize e ajudou a fechar o acordo de US$ 10,4 bilhões que a combinou com a rival holandesa.

As ações da Ahold Delhaize caíram 12 por cento depois da fusão em um momento em que a Amazon invade o setor de produtos comestíveis. A empresa belgo-holandesa poderia desempenhar um papel importante na consolidação americana, pois obtém cerca de dois terços de sua receita desse mercado através de redes como Food Lion e Hannaford. O Barclays avalia os ativos americanos da companhia em 14,4 bilhões de euros (US$ 17,7 bilhões) e os ativos europeus em 12,7 bilhões de euros.

Uma opção seria dividir a empresa, de acordo com a CIAM, companhia que afirma possuir "várias dezenas de milhões" de ações da Ahold Delhaize em euros.

"Não há sinergia entre os dois lados", disse Catherine Berjal, diretora de investimentos, em uma entrevista em Londres no mês passado. "Eles precisam pensar no futuro. O setor está em péssimo estado, precisa se consolidar e queremos que a empresa encontre boas ideias e não se esconda atrás desse stichting."

A Ahold Delhaize disse que seu conselho de administração e seu conselho de supervisão têm o direito de prolongar a estrutura sem a aprovação dos acionistas. A estrutura expirará no fim deste ano. A empresa concordou em discutir o assunto em sua reunião anual, marcada para a próxima quarta-feira, mas não haverá votação.

"Como valorizamos uma abordagem transparente para os nossos acionistas, colocamos o item na pauta para discussão", afirmou a empresa em uma resposta enviada por e-mail à Bloomberg News.

--Com a colaboração de Joost Akkermans

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