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Diferença de gênero revela potencial da economia britânica

Lucy Meakin

05/04/2018 10h43

(Bloomberg) -- O nascimento dos gêmeos levou Sarah Griffiths, que trabalhava arrecadando fundos para a caridade, a deixar o emprego. O empregador tentou ser flexível, mas ela descobriu que era impossível manter a viagem diária para Londres, gerenciar uma equipe de sete pessoas e encontrar uma creche adequada que não levasse a maior parte do salário.

Muitas vezes forçadas a sacrificar as perspectivas de carreira para cuidar da família, mulheres como Griffiths estão sob os holofotes no Reino Unido em um momento em que novas regras de divulgação revelam um país em que as mulheres trabalhadoras continuam recebendo salários significativamente menores que os de seus colegas homens.

De forma pouco surpreendente, entre os motivos para a disparidade salarial estão o número maior de homens em cargos de alto escalão e a proporção maior de mulheres que trabalham em meio período. Mas a questão não se resume à justiça. Em uma economia atrasada pelo fraco crescimento da produtividade e pela escassez de talentos, a subutilização das mulheres na força de trabalho representa um grande custo.

"Precisamos identificar realmente onde está o potencial dentro de nossa força de trabalho e de nossa população", disse Jana Javornik, diretora do Centro Noon para Igualdade e Diversidade nos Negócios da Universidade de East London. "Penso na disparidade salarial entre gêneros como um resumo inteligente -- uma medida de todos os problemas sistêmicos atuais. Como indicador, pode ser muito bom para mostrar onde focar estrategicamente e qual é o potencial inexplorado."

Mais de 10.000 empresas e organizações divulgaram suas disparidades salariais de gênero e a maioria revelou que, na média, paga mais aos funcionários homens que às mulheres. As cerca de 1.500 instituições que não cumpriram o prazo, encerrado à meia-noite de quarta-feira, serão contatadas na semana que vem e poderão enfrentar medidas legais, disse a diretora-executiva da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos, Rebecca Hilsenrath, à BBC Radio 4, nesta quinta-feira.

Impulso econômico

A McKinsey estima que a eliminação da disparidade salarial pode adicionar 150 bilhões de libras (US$ 211 bilhões) ao produto interno bruto anual até 2025 ampliando a participação das mulheres, incentivando-as a trabalhar mais horas e transferindo-as para empregos mais produtivos, como por exemplo nos setores de ciência e engenharia. A pesquisa da PricewaterhouseCoopers coloca o número em um patamar ainda mais alto.

"A divulgação das diferenças salariais entre gêneros pode impulsionar a produtividade ao incentivar os empregadores a avaliarem se estão aproveitando ao máximo o talento delas", disse Charles Cotton, chefe de pesquisa sobre desempenho e salários do Chartered Institute of Personnel and Development.

Levar mais mulheres a empregos de tempo integral por meio de incentivos, recapacitação e salários melhores, e tornar menos assustadoras as profissões tradicionalmente dominadas pelos homens são correções no mercado de trabalho que não ocorrerão da noite para o dia. Mas medidas como essas podem ganhar urgência se o Brexit piorar a situação e dificultar a contratação de trabalhadores da União Europeia.

As mulheres representam quase três quartos dos trabalhadores de meio período do Reino Unido. E o número daquelas que não trabalham, nem estão procurando emprego, superam por muito o dos homens economicamente inativos. Cuidar da família e da casa é o principal motivo citado pelas mulheres para não buscar um emprego.

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