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Em 3 anos, ex-jornalista chinesa cria startup e a vende por US$ 3,4 bi

Bloomberg News

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    A chinesa Hu Weiwei, fundadora da empresa de aluguel de bicicletas Mobike

    A chinesa Hu Weiwei, fundadora da empresa de aluguel de bicicletas Mobike

(Bloomberg) -- Na época parecia uma ideia maluca --e ainda parece. Três anos atrás, Hu Weiwei e seus cofundadores decidiram fundar uma empresa que permitisse que as pessoas compartilhassem bicicletas pagando um aluguel de poucos centavos.

As pessoas poderiam ir pedalando para o metrô ou o supermercado e depois deixar as bicicletas por ali sem ter que se preocupar em achar um lugar para guardá-las.

Para surpresa de muitos no mundo, a empresa chinesa cresceu e nesta semana a ex-jornalista e seu grupo concordaram em vender a Mobike em uma transação que avalia a startup em US$ 3,4 bilhões. A Meituan Dianping, a gigante da entrega de alimentos, está comprando a empresa.

Os fundadores e investidores embolsarão mais de US$ 1 bilhão em dinheiro e Hu --que completará 36 anos neste ano-- e sua equipe continuarão dirigindo a empresa.

Nova China

Essa é uma história da Nova China, onde os novos-ricos da tecnologia acumulam riquezas a uma velocidade estonteante. Uma geração de empreendedores mais jovens está aproveitando a adoção em massa de smartphones, velocidades de internet mais rápidas, pagamentos simples por dispositivos móveis e a abundância de capital de risco.

Financiadas por gigantes como a Alibaba Group Holding e a Tencent Holdings, as startups chinesas gastaram bilhões na criação de modelos de negócios que muitas vezes acabam beneficiando as duas gigantes.

"Na história da internet mundial nunca se viu um fenômeno como esse; tanto dinheiro arrecadado, tão rapidamente, com empreendedores tão jovens", disse Ben Harburg, sócio da Magic Stone Alternative Investment, que investiu na Meituan e na Mobike.

Dificuldades

Mas não foi fácil. Na China, o negócio da internet é um calvário. Pelo menos três dúzias de empresas entraram nesse campo e montanhas de bicicletas se empilharam em Pequim e Xangai.

Os municípios tiveram dificuldades para manter as ruas e calçadas transitáveis --os governos locais nos EUA e na Europa rejeitaram as startups chinesas quando elas testaram sua abordagem de livre circulação no exterior.

Mais de 34 concorrentes menores fecharam devido aos altos custos operacionais e à falta de financiamento, segundo a Associação de Consumidores da China. Agora, a Mobike e a Ofo respondem por cerca de 90% do mercado, estima a Counterpoint Research.

Bikes com GPS

A Mobike atraiu investidores cultivando uma imagem premium. Ela criou bicicletas com rodas cor de laranja que custam até 3.000 yuans (US$ 476) e as equipou com GPS. Elas custavam duas vezes mais do que as bicicletas da Ofo, sua maior rival, mas o preço acabou caindo e muitas vezes, quando as duas empresas travaram guerras de subsídios, eram de graça.

Mas um fluxo constante de financiamento de alguns dos maiores nomes do investimento em tecnologia --entre eles a Alibaba, a Tencent e a Sequoia-- ajudou-as a inundar as ruas de bicicletas. Isso também possibilitou que substituíssem as bicicletas confiscadas diariamente pelas prefeituras, que tentavam arrumar a desordem resultante nas calçadas.

"O caso da Mobike demonstra como a China está cheia de oportunidades para as pequenas startups crescerem rapidamente em muito pouco tempo", disse Teng Bingsheng, profesor da Cheung Kong Graduate School of Business.

"Muitas startups chinesas de tecnologia acabarão escolhendo entre a Alibaba e a Tencent pelo simples fato de que essas duas empresas abrangem uma área muito ampla de serviços de internet."

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