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Fazendeiros dos EUA têm 60 dias para definir futuro financeiro

Shruti Date Singh e Megan Durisin

05/04/2018 12h26

(Bloomberg) -- A época de plantio, sempre um momento decisivo para os agricultores, está gerando um estresse maior para os produtores de soja e milho dos EUA.

Em uma medida que pegou muitos de surpresa no setor agrícola dos EUA, a China anunciou na quarta-feira as tarifas que planeja aplicar às remessas americanas dos dois grãos. As medidas devem entrar em vigor em 60 dias. O período dá a alguns produtores rurais a oportunidade de efetuar uma mudança de última hora para outra cultura. Para os demais -- talvez para a maioria --, é tarde para fazer qualquer mudança.

"Isso mexe com o setor", disse Dave Walton, produtor rural de Wilton, Iowa, que pretende observar os preços com atenção nas próximas semana, em meio a expectativas de negociação entre China e EUA para evitar uma guerra comercial. "Podemos passar hectares da soja para o milho, se necessário."

Os fazendeiros norte-americanos têm até o fim de junho para colocar as sementes de soja no solo e o plantio de milho normalmente termina um mês antes. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) projetou na semana passada o plantio de 35 milhões de hectares de milho e 36 milhões de hectares de soja, cobrindo uma área combinada maior do que a da Califórnia.

Há muito em jogo neste ano, em particular devido ao estado lamentável da economia agrícola. A sucessão de colheitas abundantes gerou excessos de oferta e reduziu os preços dos produtos agrícolas. O USDA projeta que o lucro agrícola líquido cairá e atingirá o menor valor em 12 anos, de US$ 59,5 bilhões, menos da metade do nível recorde registrado em 2013.

O fantasma da interrupção do comércio assombra a economia agrícola americana desde que Donald Trump foi eleito presidente com uma plataforma que incluiu promessas de desafiar a China e de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).

Ainda há incertezas sobre se as tarifas serão promulgadas, o tamanho que acabarão tendo e sua possível duração, disse Chris Hurt, professor de Economia Agrícola da Purdue University, em West Lafayette, Indiana.

Isso ficou evidente na reação do mercado, na quarta-feira. Em meio a volumes crescentes nos mercados de futuros, os futuros da soja e do milho eliminaram parte dos prejuízos anteriores. O bushel de soja fechou a US$ 10,1525 na Chicago Board of Trade, queda de 22,75 centavos de dólar, ou 2,2 por cento. Um recuo de US$ 0,50 pode fazer alguns hectares passarem para o milho, mas uma grande mudança exigiria queda de pelo menos US$ 1, disse Hurt.

A maioria dos produtores norte-americanos já comprou sementes, fertilizantes e outros insumos com base no que pretendem plantar na primavera. Eles podem ajustar os planos, mas esses custos elevados os deixam basicamente sem possibilidade de mudança.

Além disso, as temperaturas congelantes e a neve na região Centro-Oeste dos EUA estão deixando alguns agricultores fora dos campos no momento. O clima adverso pode acabar gerando maior impacto sobre a superfície plantada do que as preocupações com as tarifas comerciais porque a soja pode ser plantada depois do milho.

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