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Milionários da maconha surfam na onda de legalização no Canadá

Jen Skerritt

(Bloomberg) -- Terry Booth não esperava que sua vida profissional fosse voltar ao ponto de partida graças à maconha.

Ele vendia maconha quando estava no Ensino Médio, oferecendo porções de 7 gramas por 25 dólares canadenses (US$ 19) para ajudar o pai. Nas duas décadas seguintes, atuou como eletricista e empresário, e planejava uma aposentadoria parcial em um campo de golfe após deixar sua empresa de alvarás de construção. Essa ideia o levou à maconha quando seu sócio Steve Dobler disse que o cunhado estava à procura de investidores para um empreendimento no ramo.

"Steve é um cara muito conservador; achei que ele estivesse brincando", disse Booth, 53, na sala de conferências de um hotel em Edmonton, Alberta, não muito longe de onde a Aurora Cannabis está construindo uma estufa do tamanho de mais de 10 campos de futebol//quase 14 campos de futebol americano. "Mas não estava."

Booth e Dobler são os maiores sócios individuais da Aurora, a segunda maior empresa do ramo de maconha do Canadá. As participações deles combinadas agora se aproximam de 200 milhões de dólares canadenses, o que os transforma nos acionistas mais ricos do crescente grupo de milionários recentes gerados pela maconha.

Com a decisão do Canadá de legalizar o uso recreativo da maconha, o valor desse mercado incipiente disparou, chegando a mais de 25 bilhões de dólares canadenses, o que aumentou o número de investidores ricos do setor com participações significativas em empresas como Canopy Growth e Aphria. O mercado de maconha legalizada dos EUA deverá atingir US$ 75 bilhões em receitas até 2030, quase o mesmo tamanho do mercado de refrigerantes da América do Norte, segundo a firma de pesquisa Cowen & Co. As vendas canadenses podem em breve chegar a entre 7 bilhões e 12 bilhões de dólares canadenses por ano, estima a Beacon Securities.

Sem vendas

Mesmo após a forte queda recente, muitas ações relacionadas à maconha mais que dobraram de valor no último ano, independentemente do fato de que o uso recreativo da maconha só estará legalizado mais adiante neste ano e de que algumas empresas de capital aberto ainda não tenham conseguido fechar nenhuma venda.

"Aqueles que conhecem o setor geraram uma enorme riqueza para si e até para os primeiros investidores", disse Jason Zandberg, analista da PI Financial, em entrevista por telefone. "Isso me lembra da época das pontocom. Sempre se ouve falar do amigo de um amigo que entrou cedo no setor e vendeu seu negócio."

Bruce Linton, CEO da Canopy Growth, a primeira empresa unicórnio do país no setor de maconha, com valor de mercado de mais de 1 bilhão de dólares canadenses, detém participação avaliada em quase 73 milhões de dólares canadenses. O maior acionista da MedReleaf, a Zola Finance, controlada por Tarik Ouass, tem ações avaliadas em 227 milhões de dólares canadenses. Linton cresceu em uma fazenda mantida para hobby em Ontário e trabalhou anteriormente no setor de telecomunicações.

Dobler, o presidente da Aurora, vendeu 900.000 ações no mês passado avaliadas em cerca de 10,3 milhões de dólares canadenses, segundo registros oficiais compilados pela Bloomberg. Booth, o CEO, vendeu 464.183 ações no mesmo período, segundo os dados. Juntos, eles ainda detêm mais de 24 milhões de ações.

--Com a colaboração de Maciej Onoszko e Doug Alexander

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