Bolsas

Câmbio

Soja e óleo de palma saem ganhando na Ásia com disputa comercial

Anuradha Raghu e Aya Takada

(Bloomberg) -- À medida que a disputa comercial entre os EUA e a China avança para a agricultura, quem sai ganhando são os compradores asiáticos de soja e os produtores de óleo de palma.

O plano da China de impor tarifas de retaliação à soja dos EUA significa que o maior importador do mundo buscará a oleaginosa da América do Sul, fazendo com que os exportadores norte-americanos desviem a oferta excedente para outros mercados asiáticos, segundo a Sumitomo Corp. Global Research em Tóquio.

"Os compradores asiáticos de soja se beneficiam com a briga comercial entre os EUA e a China", disse Kei Kobashi, analista sênior da Sumitomo, em entrevista por telefone nesta quinta-feira. "Eles têm a chance de comprar a oleaginosa a preços baixos, já que a restrição da China pressionou os preços."

Os futuros da soja para entrega em maio caíram 2,2 por cento e fecharam a US$ 10,15 1/4 por bushel na Câmara de Comércio de Chicago na quarta-feira, após terem recuado 5,3 por cento, para US$ 9,831 1/2. Os futuros se recuperaram um pouco nesta quinta-feira na Ásia, subindo 0,3 por cento.

A queda abriu o apetite de compradores do Japão, da Coreia do Sul e do Sudeste Asiático, o que fortaleceu a sobretaxa que eles pagam para garantir ofertas dos EUA, de acordo com a Continental Rice Corp., uma trader de Tóquio.

A sobretaxa que os compradores japoneses pagam pela soja dos EUA despachada do Golfo do México em junho em relação ao contrato de entrega em julho em Chicago pulou de US$ 1,865 por bushel para US$ 1,995 por bushel na quarta-feira, afirmou Nobuyuki Chino, presidente da Continental, em entrevista.

"É absurdo que o prêmio da soja tenha oscilado 13 centavos de dólar por bushel em um dia", disse Chino. "Normalmente, vemos uma mudança de 2 a 3 centavos no prêmio em 10 dias."

O Japão é o maior importador de soja da Ásia depois da China, seguido da Tailândia e da Indonésia. O país comprou 3,22 milhões de toneladas no ano passado, sendo que 73 por cento foram obtidos dos EUA, de acordo com o Ministério da Agricultura do Japão.

O plano da China de impor uma tarifa de 25 por cento sobre a soja também pode atrair compradores chineses para alternativas como o óleo de palma, o que poderia dar um impulso à demanda e aumentar os preços do dendê, que é cultivado principalmente na Indonésia e na Malásia, disseram analistas na quinta-feira.

"O óleo de palma, que também é o substituto mais próximo do óleo de soja, pode registrar um aumento na demanda oriunda da China, já que o diferencial maior entre esses óleos vegetais vai tornar o óleo de palma mais atraente", disse Chong Hoe Leong, analista do Public Investment Bank Bhd em Kuala Lumpur.

A tarifa imposta pela China às importações de soja dos EUA também daria um impulso aos pedidos chineses de soja do Brasil, segundo maior produtor do mundo, disse Chong, em uma nota. As empresas de plantação de óleo de palma também serão beneficiadas, porque as tarifas podem ajudar a aumentar a demanda e a elevar os preços do óleo de palma bruto, segundo Nadia Aquidah, analista do Affin Hwang Investment Bank Bhd.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos