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Solar lidera aposta em energia renovável e China é destaque

Jeremy Hodges

05/04/2018 14h04

(Bloomberg) -- Os investimentos em energia solar eclipsaram todas as outras formas de geração de eletricidade em 2017 com a aceleração da expansão ecológica na China.

Em todo o mundo, os investidores destinaram um recorde de US$ 161 bilhões para a energia solar no ano passado, mais da metade do investimento em fontes renováveis como um todo, excetuados os grandes projetos hidrelétricos, segundo relatório publicado em conjunto pela Organização das Nações Unidas e pela Bloomberg New Energy Finance. O investimento total em energias renováveis subiu 2 por cento, para US$ 280 bilhões.

Para tentar deixar de ser vista como a maior poluidora do mundo, a China investiu US$ 127 bilhões em energias renováveis no ano passado. Mais de dois terços do total foram destinados a 53 gigawatts de energia solar, capacidade suficiente para abastecer mais de 38 milhões de residências.

As energias renováveis responderam por uma fatia recorde de 61 por cento da capacidade de geração de energia líquida adicionada em todo o mundo em 2017. A produção real de fontes de energia limpa representou apenas 12 por cento da produção de eletricidade, o que ilustra a lacuna que precisa ser fechada para que a energia limpa possa ultrapassar os combustíveis fósseis.

"O mundo adicionou mais capacidade solar do que usinas de carvão, de gás e nucleares combinadas", disse Nils Stieglitz, presidente da Escola de Finanças e Administração de Frankfurt, que contribuiu para o relatório. "Isso mostra para onde estamos indo, mas o fato de as energias renováveis ainda estarem longe de fornecer a maior parte da eletricidade indica que ainda temos um longo caminho pela frente."

Os custos da energia solar e eólica diminuíram fortemente nos últimos anos, o que torna ainda mais atraente o argumento econômico do distanciamento em relação às fontes de energia que emitem grandes quantidades de carbono. O carvão e o gás continuam sendo as fontes mais baratas de eletricidade, mas é provável que a situação mude já em 2023, segundo a BNEF.

China, Austrália e Suécia tiveram os maiores aumentos nos investimentos, que caíram em mercados que costumavam ser líderes no campo das energias renováveis. No Reino Unido, o investimento recuou 65 por cento, e na Alemanha o declínio foi de mais de um terço.

As emissões globais atingiram um nível recorde no ano passado, primeiro aumento anual desde 2014.

Confira outros dados do relatório Global Trends in Renewable Energy Investment ("Tendências Globais dos Investimentos em Energias Renováveis"):

- Em 2017, foram investidos US$ 103 bilhões em novos geradores de combustíveis fósseis, US$ 42 bilhões em novos reatores nucleares e US$ 45 bilhões em grandes hidrelétricas;

- O investimento em energia renovável nos EUA foi de US$ 40,5 bilhões, uma queda de 6 por cento;

- As economias em desenvolvimento responderam por 63 por cento do investimento global em energias renováveis em 2017, contra 54 por cento em 2016;

- A participação da Europa no investimento mundial caiu para apenas 15 por cento em 2017, menor fatia registrada desde o início da série de dados, em 2004;

- As energias renováveis evitaram a emissão de 1,8 gigatoneladas de dióxido de carbono em 2017.

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