ipca
-0,21 Nov.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Cinco assuntos quentes para o Brasil na próxima semana

Josue Leonel

06/04/2018 13h30

(Bloomberg) -- Prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro não tira ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do foco do noticiário. Além da tensão que acompanha os momentos finais antes das 17:00, prazo final para maior líder petista se apresentar em Curitiba, mercado ainda deve monitorar novo pedido de habeas corpus. Movimentos de pré-candidatos de outros partidos também seguem no radar. No exterior, expectativas se voltam para novo ataque de Trump dentro da guerra comercial com a China, que promete resposta. Agenda variada da próxima semana inclui ata do Fed e CPI nos EUA, balança na China e falas de Draghi e Kuroda. No Brasil, IPCA pode ampliar desaceleração e afetar apostas no DI. Veja os principais temas:

Defesa de Lula insiste

A defesa de Lula segue buscando caminhos para evitar ou reverter a prisão do ex-presidente. STJ confirmou nesta sexta o recebimento de pedido de novo Habeas Corpus de Lula, após pedido similar ter sido rejeitado pelo STF na quarta-feira. Segundo a Folha, defesa do petista alega que Moro antecipou a execução da pena ao determiná-la antes do julgamento do embargo dos embargos e jornal também relata que Lula vai recorrer à ONU. Em sua decisão, o juiz de Curitiba criticou o uso de recursos judiciais para adiar o cumprimento de pena, dizendo que constituem apenas uma patologia protelatória, relatou a Folha. Em outra ação que poderia favorecer Lula, ministro do STF Marco Aurélio disse que pode levar a julgamento na próxima quarta-feira liminar que pretende rever a decisão do STF de 2016, que autoriza a prisão após o fim dos recursos na segunda instância, segundo a Agência Brasil.

Tensão pré-prisão de Lula

A entrega de Lula, segundo decisão de Moro, deve ocorrer até 17:00 desta sexta-feira em Curitiba. No entanto, Folha informa que o ex-presidente teria decidido não ir à capital paranaense. FUP convoca assembleias para debater greve contra prisão considerada "política" e Força Sindical chama sindicalistas para "engrossar apoio" a Lula. Segundo Agência Estado, MST já estaria bloqueando rodovias. Após a confirmação da prisão de Lula, e assumindo uma redução das tensões, mercado deve concentrar foco nos movimentos dos pré-candidatos, atento aos sinais de quem herdará os votos abundantes do petista. Alckmin, por ora o nome de centro melhor posicionado, ainda não deslanchou nas pesquisas. À esquerda, Ciro se destaca nas pesquisas e maior dúvida passa a ser em quem será o plano B do PT. Restam ainda os nomes tidos como "quase reformistas", como Bolsonaro, Marina e Barbosa, sobre os quais há muitas dúvidas em relação às suas respectivas ideias econômicas.

Guerra comercial EUA x China

Novo capítulo da guerra comercial afeta os mercados nesta sexta, mas ainda em magnitude relativamente moderada. De todo modo, o tema tem gerado volatilidade e vai seguir no radar na próxima semana. China prometeu combater as tarifas do Trump "até o fim". A declaração de Pequim veio depois que Trump ordenou a seu governo que considerasse as tarifas sobre um adicional de US$ 100 bi em bens chineses na quinta-feira.

Ata do Fed, CPI e dados na China

Após payroll abaixo do previsto nesta manhã e fala de Jerome Powell à tarde, agenda americana segue com eventos relevantes na próxima semana. Fed divulgará ata e, entre indicadores, saem CPI, PPI e Sentimento de Michigan. Por ora, sinais de que a inflação americana ainda não está pressionada excessivamente pelo crescimento econômico têm evitado apostas em altas mais drásticas dos juros do Fed. Na China, além de potenciais retaliações às tarifas de Trump, saem CPI, PPI e balança comercial. Na Europa, Draghi fala no dia 11. No mesmo dia, Kuroda, do BC do Japão, também fala.

IPCA amplia desaceleração

IPCA de março sai dia 10 e deve desacelerar para 0,12% m/m e 2,71% a/a, distanciando-se ainda mais do piso da meta. Eventual dado abaixo do previsto pode ampliar apostas em corte da Selic. Contudo, presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse em entrevista ao Estado dia 5 que é necessário balancear o espaço existente para estimular a economia, enquanto inflação está baixa, com o desejo de manter o que foi conquistado até agora, como a queda da inflação e dos juros. Semana ainda terá IGP-DI de março e dados de fevereiro de varejo e serviços.


Mais Economia