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Empresas de tecnologia enfrentam acerto de contas, alerta fundo

Rafaela Lindeberg e Love Liman

06/04/2018 12h48

(Bloomberg) -- Muitas "coisas desagradáveis" podem se revelar à medida que a maré do dinheiro fácil do banco central baixar, alertou um dos mais poderosos administradores de fundos de pensões da Suécia.

E a principal delas talvez seja o problema das grandes empresas de tecnologia, que agora estão sendo rigorosamente investigadas sobre como lidam com dados pessoais.

"Um risco que está se tornando substancial é como as empresas lidam com os dados de seus clientes e como esses dados podem ser aproveitados", disse Kerstin Hessius, CEO do AP3, um dos cinco fundos de reserva do sistema sueco de previdência pública. "É a consequência do big data e da integridade pessoal. É preciso começar a pensar nas futuras restrições às empresas."

As ações das grandes empresas de tecnologia dos EUA, coletivamente chamadas de FAANG, caíram bastante desde meados de março, e o índice NYSE FANG+ chegou a recuar 19 por cento após uma série de abalos específicos às ações, incluindo o ataque do presidente dos EUA, Donald Trump, à Amazon e o escândalo de dados dos usuários do Facebook envolvendo a empresa de propaganda política Cambridge Analytica.

"Os mercados estão começando a se preocupar com novas regulamentações e com a incerteza em torno dos modelos de negócios das grandes empresas de tecnologia", disse Hessius, eleita a mulher de negócios mais poderosa da Suécia pela revista Veckans Affarer. "Este setor vai atravessar tempos mais difíceis depois de ter sido um motor do mercado de ações dos EUA."

Hessius, que foi vice-governadora do Riksbank e diretora da Bolsa de Valores de Estocolmo, agora vê o mercado como um "campo minado", onde o setor de tecnologia poderia pesar tanto quanto o setor bancário em 2008.

Para lidar com o aumento da volatilidade em um ambiente de normalização dos juros, sua prioridade agora é aumentar a robustez de seu portfólio de US$ 41 bilhões.

"Em nossas empresas imobiliárias, estamos prolongando a duração do lado da dívida", disse ela. "Fazemos mais projetos. Não somos compradores tão agressivos nem perseguimos tanto o rendimento nessas empresas."

Nos últimos cinco anos, o retorno médio anual do AP3 foi de 10,5 por cento. Sua participação acionária está próxima de 50 por cento, o fundo detém cerca de 35 por cento em títulos e o restante é investido em private equity, imóveis e infraestrutura.

BCE e Riksbank

Por sua experiência do conselho administrativo do Riksbank, ela agora é uma crítica severa à atual política experimental de juro negativo e diz que o foco na inflação à vista é equivocado.

"Estou preocupada com o fato de que isso tenha deixado tanto o BCE quanto o Riksbank muito atrás da curva de aumento das taxas de juros", disse ela.

Ela apontou para o fato de que os EUA estão em um ciclo de alta há algum tempo, mas nem o Riksbank nem o BCE começaram.

"É preciso ter uma perspectiva de longo prazo", disse ela, "quais são os riscos de começar a normalizar as taxas lentamente? Acho que a espera pode trazer riscos maiores".

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