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Nissan mira África Oriental com montadora de carros no Quênia

David Herbling

06/04/2018 12h21

(Bloomberg) -- A Nissan Motor planeja começar a montar veículos no Quênia, reforçando os planos do governo de desenvolver um centro regional de produção de automóveis na maior economia da África Oriental.

A fabricante de veículos japonesa é a mais recente a voltar os olhos para o Quênia depois que Volkswagen, PSA Peugeot e CNH Industrial anunciaram planos de instalar linhas de montagem no país nos últimos 18 meses. As instalações poderiam reduzir os custos de produção de veículos novos para os clientes em algumas das economias de mais rápido crescimento do continente, onde a propriedade de veículos para cada grupo de mil pessoas representa um quarto da média global.

Fora da África do Sul não há muita produção automotiva no continente devido a desafios como o volume de carros usados importados, as poucas opções de financiamento de veículos e a malha rodoviária irregular. No Quênia, as vendas de novas unidades caíram 20 por cento no ano passado, para 11.044.

Inicialmente, a Nissan montará picapes a partir de conjuntos parcialmente desmontados, ou SKDs, se o governo concordar em renunciar a um imposto de importação de 25 por cento, disse Jim Dando, diretor de operações da Nissan na África.

"Estamos preparados para entrar no Quênia como montadora de SKD", disse Dando por telefone, de Pretória, capital da África do Sul. "Estamos ansiosos para avançar com velocidade. Queremos fazer isso acontecer."

Veículos semiacabados

A Volkswagen, que voltou ao Quênia no ano passado após quatro décadas de ausência, está produzindo o modelo Polo Vivo a partir de conjuntos SKD.

A Nissan apresentará proposta ao governo assim que os estudos de mercado e as avaliações de due diligence estiverem concluídos e pode ter uma linha de montagem operacional até o fim de 2019 se receber luz verde. A empresa trabalharia em uma fábrica já estabelecida, o que custaria cerca de US$ 20 milhões, em vez de construir instalações próprias, disse Dando.

O investimento em uma fábrica já existente para conjuntos completamente desmontados, ou CKD, exigiria até US$ 100 milhões, e uma fábrica nova custaria o dobro disso. A Nissan prefere começar com veículos semiacabados para construir participação de mercado e formar mão de obra qualificada, disse Dando.

Os executivos da Nissan analisam a possibilidade de processar veículos em fábricas da Isuzu East Africa, da Associated Vehicle Assemblers, que pertence à Simba, e da Kenya Vehicle Manufacturers, um empreendimento que envolve o governo, a Toyota Tsusho e a Al-Futtaim Group, disse Dando.

Uma vez estabelecida, a unidade queniana abastecerá o mercado da África Oriental, atualmente atendido por importações de picapes da África do Sul e outros modelos vindos do Japão. Além da fábrica na África do Sul, a Nissan tem uma linha de montagem na Nigéria.

A decisão de começar a montar picapes de uma tonelada foi tomada porque o mercado de veículos novos do Quênia é dominado por veículos comerciais leves. As picapes de cabine simples e uma tonelada representaram quase 12 por cento de todas as novas aquisições do Quênia no ano passado, segundo a Associação da Indústria Automotiva do Quênia.

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