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Rival reclama de ataque da Entel na guerra da telefonia no Chile

Eduardo Thomson

06/04/2018 13h39

(Bloomberg) -- A chilena Entel está brigando para não perder o controle do mercado de telefonia celular do país -- e não está claro se sairá vencedora.

Em janeiro e fevereiro, pela primeira vez em mais de quatro anos, a Empresa Nacional de Telecomunicações, ou Entel, tirou clientes de telefonia celular das concorrentes no Chile após perder uma média de mais de 90.000 linhas por mês em 2017.

Este é um sinal de que as medidas da Entel para evitar que concorrentes mais novas tirem sua participação no mercado chileno, como as ofertas de dados ilimitados, estão funcionando, embora o sentimento dos investidores tenha um longo caminho a percorrer. Os analistas apresentam o maior otimismo em relação às ações da empresa desde agosto de 2016, com sete recomendações equivalentes a compra, mas as ações da Entel continuam apresentando o pior desempenho dos últimos 12 meses, com queda de 12 por cento em meio ao ganho de 15 por cento do IPSA devido ao otimismo com o crescimento econômico e os investimentos.

A principal adversária na batalha por participação de mercado é a WOM. De propriedade da Novator Partners, com sede em Londres, a empresa de telefonia celular começou a operar em 2015, chamando a atenção com anúncios atrevidos mostrando mulheres de topless em bares, por exemplo, e roubando participação de mercado das empresas consolidadas oferecendo preços baixíssimos. A Entel contra-atacou com promoções voltadas especificamente aos clientes da WOM.

A WOM não aceitou passivamente: entrou na Justiça contra a Entel, chamando de injusta a oferta de contratos baratos da concorrente apenas para os clientes que deixassem a operadora. Os advogados da Entel responderam, em documentos judiciais vistos pela imprensa local, afirmando que a WOM está se fazendo de vítima após usar campanhas publicitárias "hiperssexualizadas" e difamar rivais durante anos.

"O mês de fevereiro serviu de alerta para nós e continuaremos trabalhando para continuar crescendo", disse Chris Bannister, CEO da WOM, por e-mail, em resposta a perguntas. "Nossa intenção, sem dúvida, é recuperar a liderança da portabilidade" e ao mesmo tempo melhorar a qualidade do serviço.

A Entel preferiu não comentar sobre a batalha jurídica com a WOM para esta reportagem.

A WOM expandiu sua participação de mercado de 1,3 por cento, em 2015, quando lançou a marca após comprar a operação local da Nextel, para 9,7 por cento em setembro, segundo dados do Ministério das Telecomunicações. Enquanto isso, a Entel e a Movistar, uma unidade da Telefónica, registraram quedas de participação de mercado de 35 por cento para 31 por cento e de 38 por cento para 32 por cento, respectivamente. A Claro, uma subsidiária da América Móvil, conseguiu ampliar sua participação de mercado em um único ponto percentual, para 24 por cento.

As operadoras consolidadas estão tentando contra-atacar, tornando-se mais ágeis com planos e benefícios para atrair consumidores chilenos volúveis, segundo Carlos Huaman, diretor-executivo da consultoria de telecomunicações DN Consultores, com sede em Lima.

"As empresas maiores aprenderam a se tornar mais ágeis", disse Huaman. "Se antes uma promoção especial durava três a cinco meses, agora as empresas lançam promoções novas todos os meses, em média."

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