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Enquanto o mundo reprime, Japão vira paraíso das criptomoedas

Yuji Nakamura

10/04/2018 13h02

(Bloomberg) -- O surgimento do Japão como centro global de criptomoedas não começou com parlamentares de cabeça aberta ou investimentos visionários dos gigantes financeiros do país. Começou com um criminoso americano que chegou ao país em busca de um novo começo.

Roger Ver chegou ao Japão em 2006 após sair da prisão, onde esteve detido por vender explosivos pela internet, e se deparou com o bitcoin, que estava em seus primórdios. Ele se tornou um defensor entusiasmado da criptomoeda e organizou festas e distribuiu moedas para incentivar seu uso. Ele também começou a se relacionar em Tóquio com Mark Karpeles, o jovem francês que comprou a Mt. Gox -- à época a maior bolsa de bitcoins do mundo -- e transferiu a sede para a cidade.

Juntos, os dois ajudaram a criar uma comunidade de especialistas em criptomoedas que popularizou as moedas, alimentou startups emergentes e convenceu autoridades do governo do potencial do conceito. Isso ajudou o Japão a surgir como um refúgio do bitcoin em um momento em que o restante do mundo o reprimia. O país manteve um ambiente regulatório favorável, apesar de problemas que vão desde fraudes contra investidores até o roubo de US$ 500 milhões em uma bolsa japonesa de criptomoedas, neste ano.

"Se não fosse pela Mt. Gox, eu não estaria envolvido na regulação do bitcoin", diz Mineyuki Fukuda, ex-deputado do Partido Liberal Democrático que ajudou a criar as regras do país.

Após uma explosão de popularidade das criptomoedas, governos como EUA e China propuseram regulações rigorosas ou proibições definitivas para evitar abusos. O Japão tem sido particularmente atacado de forma dura pelos hackers, que roubaram um total de US$ 1 bilhão.

Mas os parlamentares do país se mantiveram firmemente favoráveis. Eles estão buscando regular novas bolsas em vez de proibi-las completamente. Na semana passada, eles deram o primeiro passo para legalizar as ofertas iniciais de moedas, ou ICOs, uma maneira polêmica de arrecadar recursos que foi proibida em países como a China e a Coreia do Sul. Encorajadas pela postura do governo, empresas de tecnologia e financeiras estão ampliando o investimento.

"Pessoalmente, pensei, tudo bem, eles provavelmente vão adotar a abordagem chinesa, 'vamos proibir isso e ninguém vai conseguir fazer isso de novo'", diz Thomas Glucksmann, ex-funcionário da Mt. Gox. "Mas eles fizeram mais ou menos o oposto."

Após descobrir o bitcoin, no início de 2011, Ver começou a comprar moedas na Mt. Gox e a promover a ideia de moedas independentes de qualquer governo. Ele organizou reuniões para apoiadores, primeiro em mercados de frutas de alto padrão, depois em um bar no bairro Roppongi, em Tóquio. O Jesus do Bitcoin, como ele ficou conhecido, também doava moedas quando elas valiam cerca de US$ 1. (Um único bitcoin agora é negociado a cerca de US$ 6.700.) Ele estima que distribuiu mais de 10.000 moedas.

"Hoje elas valeriam mais de US$ 50 milhões", diz Ver.

--Com a colaboração de Aki Ito e Pia Gadkari

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