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Gigante espanhola de energia renovável busca expansão mundial

Tim Loh

10/04/2018 12h49

(Bloomberg) -- A gigante da energia renovável Acciona quer expandir seus negócios por todo o planeta -- menos em seu país natal.

"Estamos concentrados demais na Espanha", disse Rafael Mateo, CEO da unidade Acciona Energy, em entrevista concedida na segunda-feira na Cúpula sobre o Futuro da Energia da Bloomberg New Energy Finance.

Dos EUA à Austrália e do Egito ao Chile, a empresa com sede em Alcobendas, na Espanha, está somando cerca de 1.000 megawatts adicionais de energia solar e eólica aos 9.500 megawatts, na maior parte de energia eólica, que já possui e opera em mais de 20 países.

Os fatores-chave são a saturação e a economia.

"No Chile só é preciso adicionar, adicionar e adicionar", disse Mateo, observando que muitos países em desenvolvimento precisam construir mais usinas de energia para acompanhar o ritmo do crescimento econômico.

A Acciona planeja participar de leilões de energia neste ano no México e quer construir projetos na Argentina e, talvez, no Peru. A companhia não pretende construir no Brasil, disse Mateo, em parte porque o país é muito grande e tem muitas concessionárias locais poderosas. Mateo está aberto a crescer por meio de fusões e aquisições, mas não tem planos de fazê-lo agora, disse ele.

O financiamento não é um problema, mesmo se as taxas de juros aumentarem, disse Mateo. Em lugares como o México, o Chile, a Austrália e os EUA, o maior desafio é criar projetos "totalmente financiáveis" autorizados, ter clientes de longo prazo e luz solar e vento suficientes para garantir retornos.

"Se o projeto é bom, não há problema de financiamento", disse ele.

Excesso de capacidade europeu

A Europa, ao contrário, tem um excesso de capacidade de usinas de energia, então as geradoras de combustíveis fósseis terão que fechar para dar lugar à energia solar e eólica, disse Mateo. E antes que a Europa possa voltar a ser um grande motor de crescimento, ela precisa reestruturar os mercados de energia para permitir mais contratos de longo prazo entre geradores e clientes, disse Mateo.

Na Europa Ocidental, é claro, há margem para alguns negócios. No sul da Espanha, a Acciona está desmantelando cerca de 90 torres eólicas e substituindo-as por 12 torres modernas que podem produzir a mesma quantidade de energia. Mas a grande fase de crescimento ali só vai acontecer quando os geradores rivais de combustíveis fósseis forem fechados, disse ele.

"Eu digo aos meus colegas que, se nós estivéssemos no setor de mineração de carvão, provavelmente teríamos que começar a preparar os nossos CVs", disse ele. "Mas no setor de energias renováveis não, porque as energias renováveis são o presente."

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