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Toyota gera busca por know-how em tecnologia elétrica na Yamaha

Kevin Buckland e Nao Sano

10/04/2018 12h59

(Bloomberg) -- A Yamaha Motor corre para desenvolver motores para veículos híbridos e híbridos plug-in no momento em que a Toyota, uma importante cliente e acionista, acelera o esforço por conjuntos de motor e transmissão elétricos.

A Yamaha precisa conseguir oferecer esses motores mais rapidamente, a um custo menor e com nível de qualidade mais elevado do que a Toyota é capaz de fabricar internamente para continuar sendo fornecedora da empresa, disse o novo CEO da Yamaha, Yoshihiro Hidaka, em entrevista na sede da empresa em Iwata, região central do Japão. A Yamaha fornece motores de combustão interna de alto desempenho à Toyota desde o emblemático cupê esportivo 2000GT, de 1967.

"Tenho uma sensação de crise, de que se não conseguirmos a capacidade de desenvolver adequadamente esses tipos de motores, a Toyota não nos chamará mais", disse Hidaka, 54, que assumiu o cargo no início do ano. "Precisamos mudar. Precisamos adicionar novas habilidades."

A incapacidade de se adaptar à mudança do setor poderia relegar a Yamaha a uma posição ainda mais restrita no setor automotivo. A Toyota anunciou em dezembro que pretende vender 5,5 milhões de veículos eletrificados por ano até 2030 -- o equivalente à metade do total de vendas projetadas --, sendo 4,5 milhões híbridos ou híbridos plug-in.

Motocicletas elétricas

Hidaka disse que o know-how que a Yamaha adquire ao trabalhar com a Toyota pode ser usado em sua própria transição para a eletrificação. A Yamaha já produz a scooter E-Vino, que tem um motor elétrico equivalente a 50cc, e planeja fabricar motocicletas elétricas equivalentes a modelos de 150cc, disse Hidaka. A empresa vem colaborando com a Honda Motor na eletrificação de motocicletas há uma década.

Uma escolha difícil enfrentada por Hidaka, que está elaborando um plano de médio prazo para 2021 e uma projeção de longo prazo para 2030, consiste em decidir por seguir o modelo de intercâmbio de baterias criado pela startup taiwanesa Gogoro e adotado pela Honda ou apostar nas baterias de estado sólido que a Toyota pretende comercializar até o início da década de 2020.

"Se a recarga rápida com baterias de estado sólido virar realidade, não haverá necessidade de troca", disse. "De repente, o modelo de negócio fica completamente diferente."

Outros destaques da entrevista com Hidaka:

- A Yamaha está aberta a colaborações no ramo do transporte particular se houver valor para ambas as partes, mas as conversas com empresas como Uber, Grab e Go-Jek foram interrompidas porque os objetivos não coincidiram;

- A Yamaha já possui a tecnologia para veículos de duas rodas conectados; os gargalos para a adoção são a regulação e o alto custo do equipamento;

- A Yamaha decidirá neste ano se vai iniciar a produção de um carro depois de concluir os testes; a empresa precisa considerar o valor do empreendimento enquanto tecnologia e negócio.

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