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Crise política na Opep pode dobrar corte da produção de petróleo

Grant Smith

11/04/2018 11h36

(Bloomberg) -- O acordo fechado pela Opep em 2016 para eliminar um excedente global ao deter uma parcela significativa da produção de petróleo exigiu quase um ano de negociações intensas. No final deste ano, o grupo poderá ter perdido a mesma quantidade de petróleo bruto de forma não intencional.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo já está reduzindo a produção diária muito mais que o 1,2 milhão de barris prometido. A crise econômica da Venezuela está afetando a indústria do petróleo e derrubando a produção para o patamar mais baixo em décadas, e uma queda ainda maior é provável. Se o presidente dos EUA, Donald Trump, também reimpor sanções ao Irã, as perdas imprevistas do grupo poderiam dobrar a meta de redução.

Isso representaria um dilema para a Arábia Saudita e a Rússia, líderes do acordo de redução. Deveriam deixar o mercado de petróleo ainda mais apertado, mas correr o risco de que os preços mais altos prejudiquem a demanda ou estimulem uma onda ainda maior de xisto dos EUA? Ou deveriam preencher a lacuna aumentando a produção, mas, no processo, desfazer prematuramente seu acordo histórico?

"Quando pensamos no final do ano, é o Irã em combinação com a Venezuela", disse Helima Croft, chefe de estratégia de commodities da RBC Capital Markets em Nova York. "As sanções dos EUA ao Irã poderiam voltar. Na Venezuela, é uma hemorragia lenta - as perdas continuam aumentando."

Venezuela e Irã

O colapso da indústria de petróleo da Venezuela contribuiu com as iniciativas encabeçadas pela Opep. A produção diária do país, de 1,5 milhão de barris, está 560.000 barris abaixo do volume de outubro de 2016 - o ponto de partida especificado no acordo de redução. É mais que cinco vezes a redução prometida.

A perda de tanto petróleo venezuelano iria apertar os mercados de petróleo significativamente mais do que a Opep e seus aliados pretendiam. As crescentes tensões entre os EUA e o Irã poderiam agravar ainda mais o déficit de oferta.

No mês que vem, o presidente Trump analisará o compromisso dos EUA com um acordo internacional que restringe as atividades nucleares do Irã em troca do alívio das sanções. Ele tem criticado ferozmente esse acordo e demitiu altos funcionários que apoiaram a transação, substituindo-os por personagens mais hostis.

Há uma probabilidade de 70 por cento de que Trump abandone o pacto e reintroduza as sanções sobre as vendas de petróleo, disse Mike Wittner, diretor de pesquisa do Société Générale sobre o mercado de petróleo. Isso reduziria as exportações do Irã em cerca de 500.000 barris por dia, estima ele.

A situação em ambos os países é altamente incerta, e as previsões mais pessimistas talvez não se concretizem. Os aliados europeus dos EUA estão empenhados em preservar o acordo com o Irã, o que poderia significar que o impacto de novas restrições norte-americanas às vendas de petróleo seria limitado, disse Olivier Jakob, da consultoria Petromatrix, em Zug, na Suíça. A estatal petroleira da Venezuela até agora conseguiu evitar a inadimplência de sua dívida, embora não dê nenhum sinal de ter os recursos necessários para reverter o declínio da produção.

Ainda assim, o resultado provável é que os esforços da Opep para apertar o mercado irão além do pretendido e "a redução do estoque vai superar a meta", disse Ed Morse, chefe de pesquisa de commodities do Citigroup em Nova York.

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