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Eletricidade deixa de ser estigma para vender veículos de luxo

Hannah Elliott

(Bloomberg) -- Muitos clientes da Bentley acham que são ricos porque tiveram sorte.

Foi o que disse o novo presidente e CEO da Bentley Motors, Adrian Hallmark, em uma entrevista em Genebra.

"Eu tenho visto que muitos dos nossos clientes têm algo em comum: eles são muito bem-sucedidos. E muitos deles acham que é porque têm sorte", diz ele. "Isso é muito importante, porque eles não consideram que estão acima da fraqueza e da fragilidade humanas."

Essa boa sorte que eles percebem (e na qual acreditam) está levando os milionários e bilionários do mundo a fazerem compras de luxo com base em um sistema de valores como a redução das pegadas de carbono e a sustentabilidade, acrescentou. De acordo com Hallmark, os carros híbridos e elétricos permitem que eles se expressem de uma maneira nova.

"Há uma nova dimensão de longo prazo na decisão de compra -- o valor ético", diz Hallmark, em referência às conclusões de um estudo interno de 2008 sobre as pessoas mais ricas do mundo feito pela Bentley. "A eletrificação faz parte disso e a eletrificação não vai desaparecer."

Preocupação ética

Na verdade, esta nova condição que se soma às considerações tradicionais para comprar um carro de luxo -- desempenho, materiais de qualidade e acabamento -- está se manifestando com tanta força entre os 1 por cento mais ricos do mundo que está influenciando o planejamento de produtos da Bentley nas próximas duas décadas.

A empresa apresentou seu Bentayga Hybrid, um SUV de cerca de US$ 250.000 e pode fazer 50 quilômetros apenas com energia elétrica, no mês passado no Salão do Automóvel de Genebra. (O SUV, de 2.450 quilos, não é exatamente econômico, mas o fato de ser híbrido certamente proporciona a sensação de estar fazendo o bem e cuidando do planeta -- tanto para o motorista quanto para os espectadores que sabem o que isso significa). Até 2025, todos os carros da Bentley oferecerão alguma versão de transmissão elétrica, diz Hallmark. Isto inclui sua linha Continental GT de 12 cilindros, cuja última geração será lançada no começo do ano que vem.

Fabricar uma versão elétrica de um carro como esse pode levar até uma década, mas na opinião de Hallmark, a Bentley não tem outra opção.

"Já sabemos que [a próxima versão] será um veículo elétrico a bateria", diz ele. "Ela trará todos esses benefícios morais e éticos. Se não fizéssemos isso, mesmo que não precisássemos, teríamos um rendimento muito baixo em termos de potencial do cliente."

Eficiência e honra

Naturalmente, a marca com sede em Crewe, Inglaterra, não é a única a considerar que, além de ser mais eficiente, a energia elétrica confere uma marca de honra aos seus melhores clientes.

As principais fabricantes de carros de luxo produzem veículos híbridos e elétricos há anos, como o i8 da Bayerische Motoren Werke, o 918 Spyder Hybrid da Porsche e o Project 1 da Mercedes-Benz, que se esgotou.

"Se você observar os millennials ou a geração mais nova, parece haver mesmo uma maior preocupação com o tipo de marca que você deixa no planeta -- mais do que há uma década", diz Stephanie Brinley, analista sênior da IHS Markit. "À medida que avançarmos no cenário de luxo, para esse tipo de comprador, ter um na garagem será fundamental."

As fabricantes de veículos, pelo menos, precisarão de mais do que sorte para levá-los até lá.

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