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Se Apple é empresa mais valiosa do mundo, por que ela não faz bilionários?

Tom Metcalf e Anders Melin

(Bloomberg) -- Não é difícil encontrar bilionários no Vale do Silício. Arash Ferdowsi, da Dropbox, e Peter Gassner, da Veeva Systems, atingiram esse marco neste ano, e as fortunas do setor de tecnologia representam um quinto --ou cerca de US$ 1 trilhão-- do Bloomberg Billionaires Index.

Mas encontrar membros do clube dos bilionários na Apple é um esforço que rende menos frutos, embora a fabricante do iPhone seja a empresa mais valiosa do mundo, com um valor de mercado de US$ 879 bilhões.

O presidente do conselho, Art Levinson, é o único a entrar nesse grupo, e as ações da Apple respondem por apenas 20% de sua fortuna de US$ 1 bilhão, de acordo com documentos. O restante vem de seu longo mandato na Genentech, onde foi presidente do conselho e CEO, e de uma participação inicial no Google.

Nenhum outro membro da Apple chega perto. O CEO Tim Cook tem uma fortuna de US$ 600 milhões, o que reflete um programa de remuneração restrito em relação ao tamanho e ao desempenho da empresa.

De acordo com o Bloomberg Pay Index, que classifica os gerentes seniores mais bem pagos em empresas de capital aberto dos EUA, os líderes da Apple são uma verdadeira pechincha.

Salários menores

O custo da remuneração dos executivos como uma fração do lucro econômico --definido como lucro operacional após impostos e menos os custos de capital-- foi o menor entre as empresas cujos chefes foram os 200 mais bem pagos do país no ano fiscal mais recente.

Isso levou a um número relativamente pequeno de ativos na posse de diretores, o que ressalta o quanto é pequeno o número de bilionários conhecidos que a empresa com sede em Cupertino, na Califórnia, gerou.

Isso a diferencia de outras empresas de tecnologia com alto valor de mercado, cujos fundadores e alguns funcionários dominam cada vez mais o Bloomberg Billionaires Index, que monitora o patrimônio das 500 pessoas mais ricas do mundo.

Esse grupo inclui Jeff Bezos, da Amazon.com; Sergey Brin, Larry Page e Eric Schmidt, da Alphabet; Bill Gates, da Microsoft; e Mark Zuckerberg e Jan Koum, do Facebook. As fortunas associadas a essas empresas representam cerca de 10 por cento do índice.

Reflexo de Steve Jobs

A ausência de grandes ricos na Apple reflete, em parte, a história conturbada da empresa com o cofundador Steve Jobs, que detinha uma participação de 15% quando a companhia abriu seu capital em 1980. Essa participação seria avaliada em US$ 132 bilhões hoje.

Mas Jobs, que morreu em 2011, vendeu praticamente toda a sua participação, então de US$ 100 milhões, depois de ter sido afastado da empresa em 1985, de acordo com a biografia escrita por Walter Isaacson e publicada em 2011. Ele teve de reconstruir suas posses do zero quando retornou mais de uma década depois.

Viúva bilionária

Sua viúva, Laurene Powell Jobs, empreendedora e fundadora da Emerson Collective, é a única representante da Apple no ranking de riqueza. Ela tem uma fortuna de US$ 18 bilhões, com dois terços de sua riqueza na Walt Disney e em outros ativos.

Ela não trabalha na Apple. Levinson, 68, nunca apareceu em um ranking internacional de riqueza. A Apple não respondeu a pedidos de comentários sobre o patrimônio líquido de Levinson e de Cook.

É possível que alguns bilionários estejam debaixo do nariz de todos no campus da Apple em Cupertino, onde uma participação de apenas 0,11% na empresa seria suficiente para garantir uma fortuna de dez dígitos.

Isso significa que funcionários de longa data, como o diretor de design Jony Ive, personagem central durante mais de duas décadas, podem ter participações substanciais, embora seja improvável que elas difiram materialmente da participação do CEO Cook.

(Com a colaboração de Mark Gurman)

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