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Fundos de hedge mostram desânimo em relação a países emergentes

Netty Idayu Ismail

12/04/2018 11h42

(Bloomberg) -- Os ventos estão cada vez mais contrários aos mercados emergentes. Fundos de hedge como Eurizon SLJ Capital e Ark Capital Management desconfiam do potencial de continuidade do movimento que elevou as bolsas desses países para os maiores níveis em anos e suas moedas para recordes.

A narrativa de crescimento global sincronizado que embalou o avanço dos emergentes talvez já tenha registrado seu melhor momento. Além disso, o achatamento da curva de juros nos EUA e a maior volatilidades das ações "sugerem que estamos nos aproximando do final deste ciclo financeiro", disse Stephen Jen, presidente da Eurizon SLJ, em Londres. Já Saed Abukarsh, cofundador da Ark Capital, em Dubai, aposta na queda do peso mexicano, por entender que o patamar atual contempla o otimismo em relação a um acordo comercial favorável com os EUA.

"É questão de tempo até os emergentes entrarem na correção global", disse Jen, que já trabalhou como economista no Fundo Monetário Internacional. "Recomendamos que os investidores sejam mais seletivos."

Focos de problemas se espalharam em países emergentes nas últimas duas semanas. Os ganhos do ano nas bolsas de nações em desenvolvimento foram praticamente eliminados com o tombo das ações globais. As oscilações de preços se intensificaram no último mês, de acordo com um índice de volatilidade do JPMorgan.

Os investidores se livraram em peso de títulos, ações e moeda da Rússia devido à imposição das sanções mais rigorosas até hoje pelos EUA e ao aumento das tensões entre os dois países em torno do conflito na Síria. Questões geopolíticas prejudicam a demanda por ativos de risco e a lira da Turquia caiu para os menores níveis em registro. As críticas explícitas do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre custos de captação elevados alimentaram o pessimismo. Por aqui, o Ibovespa e o real estão entre os ativos de pior desempenho mundialmente no último mês em suas respectivas categorias, com os desdobramentos em torno da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"A volatilidade aumentou, as bolsas estão mais fracas e é bem possível que a economia global esteja perto do pico", disse Jen. "Duvido que esses ativos de alto rendimento terão bom desempenho em tais circunstâncias."
Abukarsh, da Ark Capital, está armando operações baseadas na expectativa de depreciação de moedas de países emergentes após os ganhos que obteve vendendo a descoberto a lira turca e o rand sul-africano. Para ele, o rendimento do título do Tesouro americano com prazo de 10 anos passará de 3,50 por cento até o fim do ano, prejudicando o apetite por ativos de emergentes, dado que as posições compradas dos investidores em instrumentos de renda fixa dessas nações são "exageradas".

O rendimento do título de referência dos EUA estava em 2,78 por cento nesta quinta-feira. A previsão oficial do banco central (Federal Reserve) é de dois ou três acréscimos adicionais na taxa básica de juros em 2018, além do aumento anunciado em março.

Nader Naeimi, da AMP Capital Investors, tem uma abordagem mais ativa e pretende investir em exportadores de commodities, como Brasil, Chile, Malásia e Indonésia. Na opinião do gestor, projetos de infraestrutura nos EUA e China e preocupações em torno do protecionismo vão impulsionar os preços das matérias-primas.

Para Naemi, responsável pelo fundo de investimento dinâmico da AMP Capital em Sydney, "2017 foi um ano de beta para os mercados emergentes, dado o ambiente de Cachinhos Dourados, formado por crescimento em alta e inflação benigna". Agora, ele diz duvidar que "qualquer força a partir daqui seja tão fácil e ampla como o que se viu entre 2016 e 2017."

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