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Gestores de recursos pretendem aumentar risco na América Latina

Ben Bartenstein

12/04/2018 11h53

(Bloomberg) -- Dezenas de analistas e gestores de recursos de mercados emergentes que participaram da conferência anual da BCP Securities, em Miami, no mês passado, chegaram com uma mensagem bem clara: Dane-se o risco político.

De acordo com a pesquisa realizada durante o evento, o Brasil era o preferido, embora muitos esperassem vitória do candidato populista Jair Bolsonaro na eleição presidencial. Mais de três quartos dos presentes revelaram que estavam aumentando a exposição a risco no País. Os comentários foram feitos antes do quadro político derrubar o Ibovespa e o real nas últimas semanas.

A Argentina perdeu fãs, embora quase nove em 10 participantes esperassem que a ex-presidente Cristina Fernandez de Kirchner eventualmente seja presa com base em acusações de que ajudou a acobertar um atentado a bomba ocorrido em 1994. Entre os profissionais da conferência, 81 por cento estavam dispostos a reduzir ou manter a exposição a ativos argentinos.

No caso da Colômbia, mais de nove em 10 participantes previam que Ivan Duque, advogado que viveu por muito tempo nos EUA, derrotará Gustavo Petro na eleição presidencial, em 27 de maio. Petro é considerado o candidato menos favorável ao mercado, mas menos de 20 por cento dos profissionais sondados pretendem retirar dinheiro da Colômbia se ele vencer.

Outro candidato populista, Andrés Manuel López Obrador, era considerado favorito para vencer a eleição no México em julho, com quase nove em 10 participantes apostando que ele tinha a maior chance, o que corresponde ao resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto por lá.

A Venezuela foi alvo do maior pessimismo do grupo, com mais da metade citando a profunda recessão, a crise cambial e a queda da produção petrolífera. A sondagem no evento da BCP Securities rendeu outras conclusões, segundo o economista-chefe, Walter Molano:

* Quase três quartos dos participantes projetam que o barril de petróleo terminará o ano entre US$ 61 e US$ 80; apenas 25 por cento preveem que a cotação fique entre US$ 41 e US$ 60
* 43 por cento projetam três acréscimos adicionais na taxa básica de juros nos EUA em 2018 e 40 por cento antecipam apenas mais dois aumentos
* 85 por cento pretendem manter ou aumentar o nível de risco neste ano
* Fatores econômicos provocam mais medo entre esses investidores do que riscos geopolíticos
* No Brasil e na Argentina, os títulos corporativos são considerados preferíveis a dívidas denominadas em moeda local.

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