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Se você acha a Maratona de Boston fácil demais, saia do asfalto

Naureen S. Malik

12/04/2018 12h38

(Bloomberg) -- Para os corredores, um dos trechos mais célebres - e temidos - é Heartbreak Hill, aos 35 quilômetros da Maratona de Boston. Subir uma inclinação de mais de 27 metros ao longo de quase 540 metros seria doloroso em qualquer maratona, mas aqui a situação é agravada porque ocorre em uma distância em que muitos corredores estão exaustos.

Em abril do ano passado, Erik Rasmussen, um corredor e triatleta de 42 anos, terminou a maratona de Boston a 2:42:35, no 241º lugar geral. Mas, em agosto, ele se tornou o primeiro a completar a corrida de 42,195 quilômetros que talvez seja a mais difícil do mundo: a subida do Monte Kilimanjaro, a montanha independente mais alta do mundo e a mais alta da África. Nesta primeira corrida, que foi medida para ter a distância exata de uma maratona, Rasmussen atravessou cinco zonas ecológicas, da mata nativa de uma floresta tropical e até o cume coberto de gelo a mais de 5.895 metros de altitude. Ele levou oito horas e 33 minutos.

A subida do Kilimanjaro foi um teste final para experimentar um percurso que Rasmussen havia medido em partes em 2016 e já havia corrido trechos anteriormente. Em agosto deste ano, através de seu grupo de turismo Erik's Adventures, ele levará um grupo de corredores aventureiros como ele pelo mesmo caminho. Até agora, 19 pessoas, algumas das quais subirão a montanha caminhando uma semana antes para evitar o mal-estar da altitude, se inscreveram.

Somente nos EUA, mais de 64 milhões de pessoas praticaram corrida ou jogging em 2016, segundo dados recentes. Com nunca tantos corredores quiseram completar as Big Six - Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York -, um dos desafios tem sido simplesmente participar. Para a corrida da próxima semana em Boston, mais de 5.000 corredores que se classificaram não poderão participar por causa da limitação de espaço. Cerca de 100.000 pessoas se inscreveram para a maratona de Nova York, que ocorreu em novembro, mas apenas 51.000 se alinharam para a largada.

"Nos últimos 10 a 15 anos, correr uma maratona deixou de ser algo extraordinário, que pouca gente fazia, e se tornou uma tendência popular, algo que uma pessoa comum enfrenta como um desafio", disse Steen Albrechtsen, porta-voz da Albatros Travels, em Copenhague.

As maratonas urbanas tornaram-se eventos tão massivos e organizados que mais e mais corredores estão saindo do asfalto em busca de um trajeto de 42,195 quilômetros com uma dose maior de aventura. Nos últimos anos, empresas de viagens expandiram os pacotes de corrida para o Círculo Ártico, a Grande Muralha da China, o complexo arqueológico de Petra, na Jordânia, e os templos de Bagan, em Myanmar. Não são "supermaratonas" em que os corredores competem em distâncias mais longas. São trajetos de 42,195 quilômetros rigorosamente medidos, mas sem grandes multidões, mesas de lanches bem abastecidas e asfalto bem pavimentado. Rasmussen diz que são "maratonas de aventura".

Ironicamente, um dos apelos dessas corridas é não sentir tanta pressão para não caminhar durante o percurso. A maioria dos corredores que participam não é de elite; eles simplesmente abandonam os trajetos tradicionais em busca de suas próprias aventuras, diz Rasmussen. "Que seja algo difícil faz parte do apelo. O que quer que você faça já será uma conquista."

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