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Fronteira da Irlanda adia negociação comercial do Brexit: Fontes

Ian Wishart

(Bloomberg) -- O Reino Unido e a União Europeia discutirão formalmente como será sua relação depois do Brexit pela primeira vez na próxima semana, mas os representantes da UE não esperam que uma conversa séria sobre o comércio seja iniciada antes de junho.

O problema de como evitar uma fronteira rígida na ilha da Irlanda quando ela se tornar um limite entre o Reino Unido e a UE está longe de ser resolvido. O lado europeu quer que o assunto seja resolvido antes de começar as negociações sobre o comércio, de acordo com três autoridades no processo. Esta e outras questões pendentes do divórcio ocuparão a maior parte do tempo de negociação nos próximos dois meses, disseram.

O Reino Unido vê a situação de outro modo. Autoridades britânicas apontam que o principal negociador da UE, Michel Barnier, e o secretário do Brexit, David Davis, concordaram no mês passado em discutir o futuro da relação o mais rápido possível.

Uma rodada de negociações está marcada para a próxima semana, de acordo com um representante da UE. Além da relação futura, os negociadores analisarão a fronteira irlandesa e outras questões pendentes do divórcio, como conflitos de tratados e propriedade intelectual.

Esses assuntos estão sendo negociados desde o terceiro trimestre do ano passado, mas não houve "nenhum avanço", de acordo com outro representante da UE. Isso significa que provavelmente não haverá um trabalho intenso sobre o futuro antes de uma cúpula marcada para o final de junho. Nessa reunião, os líderes modificarão suas diretrizes de negociação se houver alguma mudança na posição de negociação do Reino Unido.

A próxima rodada de negociações em Bruxelas será realizada de segunda-feira a quarta-feira. Os dois primeiros dias cobrirão as questões de saída e, na quarta-feira, haverá uma reunião sobre a fronteira irlandesa, seguida por outra sobre o futuro da relação comercial.

Embora a UE não afirme explicitamente que resolver o problema da fronteira irlandesa é uma condição para se debruçar sobre o acordo futuro, vários governos da UE sinalizaram que esta é uma prioridade. Também afirmaram que as negociações sobre o futuro não vão avançar muito enquanto o Reino Unido não apresentar uma posição clara e realista sobre como vê os laços futuros. Até agora, a UE rejeitou as propostas da primeira-ministra Theresa May por considerá-las uma escolha seletiva inaceitável.

Para o Reino Unido, a UE concordou em dezembro que houve um "avanço suficiente" em questões como a fronteira para que as conversas passem para o futuro da relação comercial. Já passou mais tempo do que o Reino Unido queria para abordar o comércio, e o Reino Unido afirma que a questão da fronteira irlandesa só pode ser resolvida quando a relação futura estiver clara.

Davis está com pressa para fechar um acordo sobre o comércio nos próximos meses, embora, em particular, algumas autoridades do Reino Unido estejam menos ambiciosas. Por mais que as negociações sejam bem-sucedidas neste ano, a UE afirma que as negociações formais detalhadas sobre o comercio só vão começar depois que o Reino Unido sair da UE e que o objetivo para este ano é apenas chegar a um acordo básico sobre que tipo de relação os dois lados querem. Esse esboço será definido em uma declaração política não vinculativa que acompanhará o tratado de divórcio.

--Com a colaboração de Timothy Ross

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