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Opep está prestes a eliminar excedente de petróleo, afirma AIE

Grant Smith

13/04/2018 11h27

(Bloomberg) -- A Opep está prestes a declarar 'missão cumprida' em sua tentativa de eliminar o excedente global de petróleo que provocou a pior crise do setor em uma geração, afirmou a Agência Internacional de Energia.

Restam menos de 10 por cento do excedente de estoques de petróleo, porque a Opep e seus parceiros reduziram a produção ainda mais do que pretendiam e a demanda mundial está em alta, informou a agência. A crise econômica da Venezuela está afetando a produção de petróleo do país e as perdas não planejadas pela aliança excedem o corte prometido pelo maior membro da Opep, a Arábia Saudita.

Desde o início do ano passado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e a Rússia lideraram uma iniciativa dos produtores de petróleo para compensar o excedente gerado pelos exploradores de xisto dos EUA. Os futuros do petróleo atingiram o valor mais alto em três anos em Nova York nesta semana, avançando para US$ 70 o barril, e as tensões políticas no Oriente Médio ameaçam restringir ainda mais a oferta.

"Não é nosso papel declarar 'missão cumprida' em nome da Opep, mas se nossa perspectiva estiver correta, parece que a situação é essa", afirmou a AIE em seu relatório mensal. A agência com sede em Paris assessora a maioria das principais economias do mundo sobre política energética.

Os estoques de petróleo dos países desenvolvidos estão apenas 30 milhões de barris acima da média de cinco anos, o indicador que a Opep usa para avaliar se os mercados estão equilibrados, informou a AIE. Esse número representa uma forte baixa em relação aos 300 milhões de barris de quando o grupo começou a fazer cortes.

Os estoques globais se encaminham para uma contração de 600.000 barris por dia a partir deste trimestre até o fim do ano. Como resultado, os dados que serão divulgados "dentro de um ou dois meses" poderiam mostrar que os estoques caíram e ficaram abaixo da média de cinco anos.

No entanto, à medida que a Opep se aproxima de seu objetivo, a Arábia Saudita está cada vez mais ansiosa para revisar a meta, argumentando que os cortes precisam continuar para garantir que os mercados estejam adequadamente reequilibrados. Os produtores, que vão se reunir na cidade saudita de Jidá na próxima semana, examinaram indicadores alternativos para analisar o alto excedente dos estoques dos últimos anos.

Embora os membros da Opep tenham concordado em reduzir a produção em cerca de 1,2 milhão de barris por dia, o corte real do mês passado foi mais de 60 por cento maior. Os 14 membros do grupo bombearam 31,83 milhões de barris por dia em março, o menor volume em quase três anos. Os 24 membros incluídos no acordo mais amplo já reduziram a produção em quase 2,4 milhões de barris por dia, mais do que a produção de 1,8 milhão de barris combinados à qual tinham se comprometido, afirmou a AIE.

A agência não modificou suas projeções de oferta e demanda globais em 2018 em relação ao relatório do mês passado.

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