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Porsche, Lamborghini e Bugatti. Tudo seu por US$ 123 bi: Gadfly

Chris Bryant

13/04/2018 14h05

(Bloomberg) -- Qual bilionário de respeito não quer ter um Porsche 918 Spyder, um Bugatti Chiron e um Lamborghini Centenario como ativos (por uma bagatela de cerca de US$ 6 milhões os três)?

Uma combinação entre essas marcas pode ser igualmente irresistível para investidores não tão ricos assim se o novo CEO da Volkswagen, Herbert Diess, tiver ousadia suficiente para aproveitar a oportunidade -- e se for possível convencer as famílias Porsche e Piech, controladoras da VW.

Como parte da ampla reformulação anunciada na sexta-feira, a VW informou que futuramente reuniria Porsche, Bugatti, Bentley e provavelmente também a Lamborghini em um novo grupo interno de produtos chamado "Super Premium". A ideia é fortalecer a tomada de decisões e promover a cooperação entre marcas com faixas de preços similares. As marcas VW, Seat e Skoda, voltadas ao mercado de massa, também estão sendo agrupadas.

Não há indícios de que a VW pretenda vender ações independentes das marcas Super Premium no mercado, como fará com os ativos de caminhões da VW. Mas seria tolice não avaliar a possibilidade, pelo menos. Basta ver o exemplo da Ferrari.

O IPO da empresa italiana, em 2015, mostrou que os investidores estavam dispostos a pagar um grande ágio por automóveis de preços elevados com pedigree e muitos cavalos de potência. As ações são negociadas a cerca de 32 vezes os lucros estimados, patamar não muito distante do da Prada e quilômetros à frente dos níveis apresentados por BMW e Daimler, dona da Mercedes.

Graças à mania de comprar do ex-presidente do conselho Ferdinand Piech -- um homem que aparentemente tem "combustível nas veias" --, a VW tem diversas marcas de luxo. Especulou-se que Piech queria adquirir também a Ferrari (os investidores da VW sem dúvida teriam gostado disso).

Mas e aí, quanto valeria uma "Super Premium AG"? Bem, em torno de 100 bilhões de euros (US$ 123 bilhões), mais ou menos.

Mas primeiro é preciso fazer algumas ressalvas. A VW não publica informações sobre lucros das marcas Lamborghini e Bugatti, provavelmente porque nenhuma delas apresentou resultados formidáveis no passado. A Bernstein Research estimou certa vez que a Bugatti perdia US$ 6 milhões em cada hipercarro Veyron produzido. Mas a situação pode estar prestes a mudar. A Lamborghini, que registra cerca de 1 bilhão de euros em vendas anuais, está lançando o SUV Urus neste ano, e SUVs tendem a atrair dinheiro. A Bugatti, por sua vez, pelo menos prometeu que o Chiron será rentável.

A VW revela os resultados da Bentley, e eles não são tão impressionantes. A margem operacional da marca foi de escassos 3 por cento no ano passado. No entanto, esse resultado também deverá melhorar graças ao novo SUV Bentayga.

Mesmo considerando que essas marcas trarão glamour, mas pouco contribuirão para os resultados do grupo Super Premium, a empresa combinada ainda poderia ter uma avaliação de 10 dígitos em dólares -- superior à capitalização de mercado da VW.

É que as margens de lucro da Porsche não são muito diferentes das da Ferrari. Portanto, a marca pode ter um valor corporativo de cerca de 109 bilhões de euros se os investidores estiverem dispostos a pagar um múltiplo similar sobre os lucros, segundo cálculos da Bloomberg Intelligence.

As famílias donas da VW não têm tanto interesse no preço das ações quanto se pode imaginar. Mas são um grupo orgulhoso, e o sucesso da Ferrari fez com que parecessem um pouco sem imaginação. Se a venda de ações da divisão de caminhões, no ano que vem, for bem-sucedida, talvez Diess consiga convencê-los a avaliar, na sequência, uma opção mais atraente.

Essa coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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