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Reino Unido foca em redes sociais para entender assassinatos

Jonathan Browning

13/04/2018 11h20

(Bloomberg) -- Quatro fileiras de flores e velas lamentam o esfaqueamento do adolescente Israel Ogunsola no bairro de Hackney, no leste de Londres, em um beco estreito.

Esta é uma das diversas homenagens a vítimas de assassinato na capital nas últimas semanas. A 25 minutos de carro ao norte dali está o local onde Tanesha Melbourne-Blake, de 17 anos, morreu em um tiroteio apenas dois dias antes.

Houve um surto da violência entre jovens. A polícia de Londres investiga mais de 50 homicídios registrados desde o início do ano, e mais da metade dos casos envolve pessoas com menos de 30 anos. Em todo o ano de 2017, ocorreram 115 homicídios, segundo dados da Polícia Metropolitana. Os policiais estão tão pressionados que a Met pediu ajuda de uma força próxima.

Cortes no orçamento policial e maior disponibilidade de armas de fogo foram possíveis causas citadas para explicar o aumento da violência. Mas o governo da primeira-ministra Theresa May está se concentrando nos riscos representados pelas redes sociais. Antigamente em segundo plano, as plataformas da internet agora estão criando um ambiente onde vídeos explícitos são compartilhados com impunidade e ameaças e provocações no mundo virtual se transformam em violência no mundo real.

"Você pode confrontar as pessoas pela internet, pode fazer ameaças pela internet. Ninguém quer perder moral", disse Junior Smart, que cumpriu pena por delitos relativos a drogas e agora trabalha com membros de gangues. "Autenticidade é tudo, então trata-se de ser aquela pessoa."

Depois que Tanesha Melbourne-Blake foi baleada em 2 de abril, foram compartilhadas publicações no Instagram, que pertence ao Facebook, que parecem assumir a responsabilidade por sua morte e afirmam que quem andar com membros de outras gangues será um alvo.

"Estava conversando com um menino que tem sido bastante atormentado pelos amigos na internet, com insultos desagradáveis e ameaças de queimá-lo", disse Smart, que agora trabalha com jovens desfavorecidos na instituição de caridade St. Giles Trust. "Se ele recuar, isso será transmitido para todos os amigos, talvez para a escola e depois para toda a vizinhança."

A chefe de polícia do Reino Unido, Cressida Dick, disse que discussões triviais na internet estão escalando mais rapidamente, e a secretária do Interior, Amber Rudd, publicou um relatório na segunda-feira que exigia que as empresas de redes sociais se empenhem mais para impedir que seus sites hospedem conteúdo violento.

'Hospedeiros passivos'

"Esta situação não pode continuar: essas plataformas não são mais apenas hospedeiros passivos", afirmou o Ministério do Interior. "As empresas de internet precisam ir mais longe e mais rápido para lidar com o conteúdo ilegal na internet." O governo também vai considerar pela primeira vez a responsabilidade legal das empresas de rede social pelo conteúdo compartilhado em seus sites, segundo o relatório.

Uma porta-voz do Facebook em Londres não quis comentar imediatamente.

Vídeos e fotos que mostram jovens entrando e fazendo provocações em bairros que supostamente pertencem a grupos rivais aparecem diariamente nas redes sociais, de acordo com a Catch-22, uma instituição de caridade que acaba de realizar um estudo sobre como Instagram, YouTube, Snapchat, Twitter e Periscope estão sendo usados.

Isso pode se traduzir em uma expectativa de represálias, disse Tom Gash, membro sênior do Instituto de Governo e assessor sobre estratégia das forças policiais. Cometer violência não é "uma escolha inteligente, a menos que a lógica esteja tão deturpada que a pessoa praticamente se sinta obrigada a reagir".

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