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Como lançar uma vinícola aclamada por menos de US$ 8 mi

Larissa Zimberoff

(Bloomberg) -- Mesmo para os astronômicos padrões imobiliários de Napa Valley, a venda da Heitz Wine Cellars, que teria alcançado US$ 180 milhões, causou surpresa. Mas esse é o novo padrão de normalidade lá: segundo a County Appraisals, com sede em Napa, as propriedades com vinhedos na região atualmente são vendidas a US$ 400.000 por acre (US$ 988.420 por hectare).

Em resposta, algumas vinícolas chegaram à conclusão de que faz sentido, do ponto de vista fiscal, encontrar um ligar não tão caro. A Jackson Family Wines, produtora do Kendall-Jackson Chardonnay (o chardonnay mais vendido nos EUA), comprou seu primeiro vinhedo no Vale do Willamette, no sul do Oregon, em 2013. Hoje, a empresa possui e opera quatro vinícolas em mais de 520 hectares na região, segundo a revista Wine Spectator. "No mundo da produção de vinhos, essa ainda é uma região jovem e com muito potencial", diz Eugenia Keegan, gerente-geral da JFW no Oregon.

O apreço pelos vinhos do Oregon está crescendo rapidamente. Segundo Danny Brager, vice-presidente sênior do escritório de bebidas alcoólicas da Nielsen, as vendas nacionais de vinhos em 2018 cresceram 2,1 por cento nos canais de varejo, enquanto as vendas do Oregon subiram 17 por cento em relação ao ano anterior; o crescimento das vendas diretas ao consumidor também é notável -- 31 por cento no Oregon, contra 15 por cento nacionalmente, na comparação ano a ano. "O Oregon é claramente líder em crescimento, a região de mais rápido crescimento no mundo", disse.

Os vinhos chamaram a atenção até mesmo de Melania Trump. Ela incluiu dois vinhos vintage do Oregon no recente jantar de Estado para o presidente francês, Emmanuel Macron. Os vinhos -- um Evenstad Reserve Chardonnay 2015, da Domaine Serene, e um Domaine Drouhin Pinot Noir Laurene 2014 -- resultam de colaborações franco-americanas.

Um vinho do Oregon que não estava no jantar de Estado, mas deveria, é o Lingua Franca. Ele é produzido pelo mestre sommelier Larry Stone, ex-morador do Vale de Napa. Seu primeiro vintage, o Mimi's Mind Pinot Noir 2015, ganhou medalha de ouro dupla na Six Nations Wine Competition, na Austrália.

A maior proeza de Stone pode ter sido lançar o selo investindo menos de US$ 8 milhões.

Quando viu o lote de 60 hectares em Eola-Amity Hills, Stone percebeu que a fazenda abandonada era um imóvel de primeira linha. "Foi como comprar um grand cru da Borgonha", diz. Ele adquiriu a propriedade em 2012 com o plano simples de cultivar uvas para vender -- a construção de uma vinícola própria teria um custo proibitivo; para a conta bancária de um sommelier, o terreno em si já era bastante caro.

Os principais ativos de Stone eram vinhos. Ele tinha cerca de 350 caixas que remontavam à década de 1970, incluindo um Henri Jayer Cros Parantoux Vosne-Romanée ano 1990, um Gaja Barbaresco Sorí San Lorenzo ano 1982 e um Guigal Cote-Rotie La Mouline ano 1985. Por meio da casa de leilões Christie's, ele vendeu tudo e embolsou cerca de US$ 750.000. Depois que um amigo, o ex-advogado financeiro David Honig, se associou a ele, ambos compraram o terreno e plantaram uvas pinot e chardonnay por cerca de US$ 2 milhões.

A propriedade de Stone atraiu o interesse de Dominique Lafon, da lendária Domaine des Comtes Lafon, da Borgonha. Lafon perguntou quem produziria o vinho. "Produzir vinho é muito caro", disse Stone a Lafon, oferecendo-se para vender a fruta a ele. Um ano depois, em 2015, Lafon assinou contrato como consultor para a produção de vinhos, juntamente com o produtor em tempo integral Thomas Savre -- o equivalente a receber uma oferta de Bruce Springsteen para tocar em seu casamento. Com Lafon a bordo, Stone levantou US$ 5,2 milhões para construir uma instalação de 1.900 metros quadrados projetada pelo arquiteto Laurence Ferar, de Portland.

O primeiro vintage Lingua Franca, o Pinot Noir Eola-Amity Hills Tongue 'n Cheek 2015 (US$ 60), chegou à lista dos 100 melhores vinhos da Wine Spectator com notáveis 94 pontos. As safras 2015 e 2016 podem ser encontradas nas cartas de vinho dos restaurantes Daniel, The Modern e Bâtard, em Nova York, e no Taillevent e no Le Grand Épicerie, em Paris. Muitas vezes é o único vinho do Oregon na carta.

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