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Em crise, região petroleira do México apoia candidato rebelde

Amy Stillman

02/05/2018 13h52

(Bloomberg) -- Nos pântanos de Tabasco, no sudeste do México, agricultores indígenas vigiam poços de petróleo. Eles não têm status oficial - mas quem quiser fazer negócios lá tem que pagar para passar.

Por exemplo, no poço 144 do gigantesco campo de Sen, pertencente à petroleira estatal Pemex, as empresas de serviços afirmam que têm que pagar a dois desses grupos, que alegam representar proprietários e comunidades locais. Em algumas áreas existem até dez deles. Eles cobram comissões que podem chegar a 50.000 pesos mexicanos (US$ 2.670) por mês para as maiores empresas internacionais.

O povo da província não tem muitas outras formas de ganhar dinheiro com o petróleo. Nos quatro anos que passaram desde que o México abriu seu setor de energia às empresas internacionais, mais de 100 contratos de exploração e produção foram assinados. Mas a onda de investimentos prometida não aconteceu, e a Pemex e suas empreiteiras eliminaram empregos por causa da queda dos preços do petróleo e não voltaram a criá-los na alta atual.

Este é um dos motivos pelos quais os eleitores no coração petroleiro do México estão abandonando o governo antes da eleição presidencial de julho. Eles apoiam o único candidato que prometeu uma política de energia mais nacionalista - que assusta os investidores.

'Ele entende'

O fato de que Andrés Manuel López Obrador nasceu na província ajuda.

"Andrés é de Tabasco, ele entende a pobreza em que vivemos", disse Pablo Osorio, um dos agricultores indígenas que vigiam o poço. "Não tem hospitais nem grandes supermercados. A única coisa que as reformas do petróleo nos trouxeram foram terras poluídas."

López Obrador diz que analisará contratos já assinados com petroleiras privadas e que poderia interromper a licitação de novos contratos. Ele também promete fortalecer a Pemex e construir duas novas refinarias - uma delas em Tabasco. Os preços da gasolina e da eletricidade serão congelados por três anos.

Parece cada vez mais provável que o candidato também conhecido como AMLO, de 64 anos, terá a chance de colocar essa agenda em prática. Ele deve obter uma vitória esmagadora, segundo o monitor eleitoral da Bloomberg para o México, que compila pesquisas locais e aponta que López Obrador tem 47 por cento dos votos - quase 20 por cento a mais do que seu rival mais próximo, Ricardo Anaya, que apoia as reformas da energia.

Preocupação

O setor teme que o petróleo mexicano volte aos velhos tempos ruins com López Obrador.

As reformas não conseguiram deter a queda da produção de petróleo bruto do México, mas seus simpatizantes dizem que elas deveriam ser julgadas mais no longo prazo. Mudar o rumo agora seria "um erro e pararia o país", disse Javier Zambrano, CEO da Jaguar Exploración y Producción, uma petroleira local.

Os economistas também receiam que os planos de López Obrador esvaziem os cofres públicos. Suas refinarias custariam bilhões de dólares cada - mas o México já tem seis que operam a menos de 40 por cento da capacidade. A Pemex é a grande petroleira mais endividada do mundo.

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