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Idealizador do "Big Short" vê perigo em dívidas corporativas

Shannon D. Harrington e Erik Schatzker

02/05/2018 13h48

(Bloomberg) -- O ex-trader do Deutsche Bank que ajudou a montar a operação que ganhava com a desvalorização de financiamentos imobiliários de segunda linha, conhecida como Big Short, acha que o próximo tremor no mercado financeiro virá das dívidas corporativas.

Greg Lippmann abriu a LibreMax Capital e hoje supervisiona aproximadamente US$ 3 bilhões. Em entrevista à Bloomberg Television, ele disse que ações e dívidas corporativas dos EUA sofrerão as maiores perdas na próxima crise. Já ativos atrelados a dívidas dos consumidores americanos estarão relativamente seguros ? diferentemente do que ocorreu na última crise ? porque são as empresas que aproveitaram mais os juros baratíssimos praticados na última década.

"Se a volatilidade do primeiro trimestre for prenúncio de algo maior, acho que haverá muito mais problemas no mercado corporativo e no mercado acionário do que no mercado de produtos estruturados", afirmou Lippmann em entrevista realizada durante a conferência global do Instituto Milken, em Beverly Hills, na Califórnia. "O consumidor está em melhor forma do que as corporações. Os consumidores estão menos alavancados do que estavam antes da crise. As corporações estão mais alavancadas do que estavam antes da crise e acho que os produtos estruturados não serão o epicentro."

A próxima recessão talvez não seja iminente, mas já vislumbra no horizonte, segundo Lippmann. Ele acredita que será menos severa, porém mais longa do que a crise financeira global de 2008 e 2009, e parecida com a que ocorreu entre 2000 e 2002.

Após fundar a LibreMax em 2010 junto com um colega do Deutsche Bank, Fred Brettschneider, Lippmann lucrou comprando os instrumentos atrelados a hipotecas que vendia a descoberto quando trabalhava no banco alemão. Esses instrumentos se recuperaram desde então e a participação dos títulos atrelados a financiamentos imobiliários residenciais encolheu de 80 por cento para 20 por cento da carteira da LibreMax, segundo Lippmann.

De acordo com o gestor, o fundo agora investe em outros produtos estruturados ? como instrumentos atrelados a financiamentos de imóveis comerciais, empréstimos garantidos e investimentos ligados a crédito estudantil ? e em dívidas de empresas com exposição ao mercado imobiliário, como construtoras.

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