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Transferência de AllianceBernstein acentua êxodo de Wall Street

Noah Buhayar e Patrick Clark

02/05/2018 12h08

(Bloomberg) -- Nova York continua perdendo o controle sobre as finanças e os investimentos.

Na terça-feira, começou a circular tanto em Manhattan quanto em Nashville, no Tennessee, o rumor de que a AllianceBernstein Holding planeja transferir sua sede da cidade conhecida pelos espetáculos da Broadway para outra mais famosa pela música country. A diretoria sênior da empresa, incluindo o CEO Seth Bernstein, vai se mudar, de acordo com o Wall Street Journal. E é possível que mais de 1.000 funcionários acompanhem os diretores, informou o Nashville Post.

Embora o JPMorgan Chase esteja planejando uma nova sede em Park Avenue, alguns grandes bancos e administradoras de recursos estão transferindo recursos para cidades mais baratas dos EUA a centenas ou milhares de quilômetros de Nova York. Nos últimos anos, o Goldman Sachs Group montou operações em Salt Lake City, e o Deutsche Bank se expandiu em Jacksonville, na Flórida. A Pacific Investment Management Co. acaba de escolher Austin, no Texas, para um novo escritório em um momento em que a gestora de ativos busca recrutar profissionais de tecnologia e ampliar o marketing nos EUA.

No ano passado, as transferências contribuíram para o primeiro declínio na força de trabalho de valores mobiliários de Nova York desde 2013. Isso deixou o setor com cerca de 176.900 profissionais na cidade, ou 6 por cento menos que antes da crise financeira, segundo a controladoria do estado. O restante do setor privado cresceu 23 por cento no mesmo período.

A AllianceBernstein chegou a considerar 30 cidades - analisando atributos como moradia, custo de vida, educação e clima - antes de fazer sua escolha, segundo o Wall Street Journal. A intenção inicial não era transferir a sede, mas isso mudou conforme a pesquisa se desenrolou, informou o Nashville Post.

Além de cortar custos, a transferência foi motivada em parte por impostos estaduais, municipais e imobiliários mais baixos no Tennessee em comparação com a região de Nova York, segundo o Wall Street Journal, que citou fontes não identificadas e um memorando da equipe. A firma planeja começar a transferir trabalhadores neste ano, mas os gestores de recursos e os negócios de clientes privados da AllianceBernstein permanecerão em Nova York, de acordo com a reportagem.

Jonathan Freedman, porta-voz da gestora de ativos, não respondeu a um pedido de comentário.

A transferência poderia ser oficialmente anunciada nesta quarta-feira. O governador do Tennessee, Bill Haslam, e o Departamento de Desenvolvimento Econômico e Comunitário do estado convidaram a imprensa para um evento no Capitólio estadual às 10 horas, horário local, para revelar um "anúncio significativo de desenvolvimento econômico". O comunicado não fornece detalhes sobre qual empresa está envolvida.

As administradoras de recursos estão sendo cada vez mais pressionadas a reduzir seus gastos à medida que os investidores se concentram em fundo de investimentos e outros produtos de baixo custo. Entre os fundos gerenciados ativamente, apenas os mais baratos estão atraindo dinheiro novo, afirmou o Instituto de Empresas de Investimento em um relatório nesta semana. A AllianceBernstein não foi exceção. No primeiro trimestre de 2018, a gestora de ativos teve saídas líquidas de US$ 2,4 bilhões.

A firma tem cerca de 3.500 funcionários em todo o mundo e administra cerca de US$ 550 bilhões em ativos.

--Com a colaboração de Charles Stein .

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