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Bunge diz que China parou de comprar soja dos EUA

Mario Parker

03/05/2018 14h40

(Bloomberg) -- A maior processadora de oleaginosas do mundo acaba de confirmar um dos maiores temores do mercado de soja: a China basicamente parou de comprar oferta dos EUA em meio à crescente guerra comercial.

"O que eles estiverem comprando não vem dos EUA", disse o CEO da Bunge, Soren Schroder, em entrevista por telefone na quarta-feira. "Eles estão comprando grãos do Canadá, do Brasil, principalmente do Brasil, mas eles estão evitando muito deliberadamente comprar dos EUA."

No mês passado, a China surpreendeu muitos na agricultura dos EUA ao anunciar seus planos de impor tarifas às exportações americanas de soja. Enquanto o mercado esperava que a medida entrasse em vigor, havia certa esperança entre traders e exportadores de que as relações entre os países pudessem melhorar e de que o fluxo comercial continuasse. Mas não parece ser o caso, pelo menos por enquanto, segundo a Bunge.

Está "muito claro" que as tensões comerciais já fizeram com que a China parasse de comprar oferta dos EUA, disse Schroder. "O quanto isso vai durar, quem sabe? Mas desde que exista essa grande nuvem de incerteza, provavelmente isso continue."

Volatilidade

A volatilidade dos bens agrícolas tem aumentado nas últimas semanas à medida que o bate-boca entre os EUA e a China se intensifica. Outros produtos agrícolas atingidos pela disputa são o milho, a carne de porco e o sorgo. A soja é a segunda maior safra dos EUA e os preços dependem muito do comércio com o país asiático, o maior importador do mundo.

Nas duas semanas até 19 de abril, a China cancelou compras de soja americana por 62.690 toneladas métricas líquidas para o ano comercial que acaba em 31 de agosto, mostram dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês). Nesta época do ano, os países da América do Sul normalmente concluem suas safras e se tornam os principais exportadores durante vários meses. A previsão é que a liderança do Brasil nas exportações globais cresça e quebre um recorde na temporada de 2017-2018, quando o país vender 73,1 milhões de toneladas no exterior em comparação com 56,2 milhões dos EUA, estima o USDA.

A Bunge tem conseguido atender à demanda chinesa exportando oferta de fora dos EUA, disse Schroder. A empresa com sede em White Plains, Nova York, tem uma grande presença na América do Sul.

"Eu diria que nós preferiríamos esse livre comércio sem perturbações porque isso não é bom para ninguém", disse Schroder. "Graças à nossa atividade, estamos em uma posição muito boa para lidar com" a situação, disse ele.

--Com a colaboração de Megan Durisin e Shruti Date Singh .

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