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Produtores de soja paraguaios aproveitam seca na Argentina

Ken Parks

03/05/2018 14h47

(Bloomberg) -- A Argentina poderia comprar facilmente metade das exportações de soja do Paraguai neste ano para manter suas unidades de esmagamento em funcionamento em meio à profunda seca que reduziu a oferta doméstica, segundo a Câmara Paraguaia de Exportadores e Comerciantes de Cereais e Oleaginosas (Capeco).

"Nos últimos três meses, o Paraguai conseguiu vender soja à Argentina em melhores condições do que normalmente vende para a Europa", disse o presidente do conselho da Capeco, José Berea, em entrevista por telefone, de Assunção. "As compras argentinas de soja paraguaia superarão 3 milhões de toneladas."

Berea estima que as exportações totais do Paraguai serão de 6 milhões a 6,5 milhões de toneladas de uma safra recorde que pode chegar a 10,5 milhões de toneladas na temporada 2017-2018. O país sem saída para o mar e delimitado por rios escapou de uma seca devastadora que reduziu os rendimentos na Argentina e no Uruguai. Os conflitos comerciais entre EUA e China também beneficiaram os produtores paraguaios, já que o aumento da demanda asiática pela oferta sul-americana elevou os preços, disse.

"Os produtores fecharão a temporada com lucros e poderão pagar as dívidas das safras anteriores, quando tivemos queda na produção", disse Berea.

Plantio recorde

Os investimentos do Brasil e da Argentina no Paraguai ajudaram a transformar o país no quarto maior exportador de soja do mundo, com um recorde de 3,4 milhões de hectares plantados nesta temporada. Mas as novas expansões enfrentam limites devido à rígida legislação do país contra os desmatamentos, às disputas de terra e às turbulências geradas pelo autoproclamado grupo revolucionário marxista conhecido como Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP).

Esses desafios levaram os produtores a buscar rendimentos maiores com os campos existentes por meio de medidas de biotecnologia e de conservação do solo, disse Berea.

Existe o potencial de adicionar mais 1 milhão de hectares na próxima década em províncias como San Pedro e Canindeyú se os agricultores de subsistência puderem ser organizados como cooperativas agrícolas de escala comercial e o governo puder oferecer mais segurança, disse.

O presidente eleito Mario Abdo Benítez, do Partido Colorado, atualmente governante, prometeu derrotar o EPP e investir mais em programas sociais e obras públicas quando assumir o cargo, em 15 de agosto.

O Paraguai tem capacidade de armazenagem e portuária para processar até 15 milhões de toneladas de soja por ano graças aos investimentos privados, mas o limitado sistema de estradas pavimentadas do país precisa ser expandido pelo novo governo, disse Berea.

"Os portos estão preparados para movimentar muito mais grãos do que estamos produzindo atualmente", disse.

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