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Como o Facebook pode recuperar credibilidade: Bloomberg Opinion

Kara Alaimo

(Bloomberg) -- O encontro anual do Facebook, em 1º de maio, foi realizado em um momento de irritação dos desenvolvedores com os esforços da rede social para corrigir o modo como os dados dos usuários são compartilhados com terceiros. Alguns prometeram boicotar a conferência, segundo o New York Times; outros planejavam questionar os executivos a respeito das mudanças nas políticas que dificultam o acesso dos desenvolvedores aos dados dos usuários do Facebook.

Segundo as novas regras anunciadas no mês passado, os desenvolvedores já não podem, por exemplo, visualizar as postagens dos usuários no Facebook nem acessar informações de pessoas que não tenham usado seus aplicativos nos três meses anteriores. Além disso, o Facebook está investigando empresas que usaram anteriormente grandes quantidades de dados de seus usuários.

Mas essas medidas não parecem ter extinguido as acusações de que o Facebook viola a privacidade ao permitir que terceiros vejam dados dos usuários. Essa controvérsia persistente levou a gigante das redes sociais a adiar o lançamento de um novo produto inteligente para o lar -- semelhante ao Echo, da Amazon -- por receio de que o aparelho gere ainda mais receios relativos à privacidade.

O Facebook precisa tomar uma medida drástica para enfrentar a onda de indignação. Uma solução é que a rede social ofereça aos clientes a opção de vender seus dados pessoais a empresas de pesquisas e profissionais de marketing. Os usuários poderiam escolher quais dados são compartilhados: nomes, fotos, informações listadas nos perfis, informações de contato, postagens ou nada disso. Também escolheriam quais organizações poderiam usá-los, como anunciantes, empresas de pesquisa de mercado, consultorias políticas ou pesquisadores acadêmicos. Os usuários receberiam pequenos pagamentos pelos dados, e quanto mais informações compartilhassem e quanto mais organizações permitissem acessá-las, mais dinheiro receberiam.

Isso resolveria muitos problemas para o Facebook. Em primeiro lugar, acabaria com as preocupações éticas ao estabelecer o princípio de que as pessoas são donas de seus próprios dados. Seria difícil, até mesmo para os defensores mais ferrenhos da privacidade, argumentar contra isso.

Em segundo lugar, a medida incentivaria as pessoas a compartilhar dados, oferecendo ao Facebook um caminho para continuar lucrando. A capacidade de ganhar dinheiro seria uma tentação poderosa para os usuários e poderia atrair ainda mais pessoas para o site. Obviamente, fazer pagamentos às pessoas por dados que o Facebook atualmente coleta de graça reduziria os lucros da empresa. Mas o custo de não tomar medidas importantes para lidar com questões de privacidade pode ser ainda maior. A surpreendente perda de US$ 50 bilhões em valor de mercado pela empresa durante a primeira semana desta crise mostra que os usuários levam esse assunto a sério.

Essas medidas poderiam ajudar a acalmar a tempestade porque dariam às pessoas que não desejam que seus dados sejam compartilhados um incentivo para continuar no Facebook, já que poderão impedir que suas informações sejam usadas por terceiros. Isso é importante, porque os usuários que permitirem o compartilhamento de seus dados estarão menos propensos a continuar na rede se não puderem se conectar com boa parte de seus amigos.

Obviamente, o Facebook teria que policiar e bloquear meticulosamente as contas falsas criadas pelas pessoas para tentar ganhar dinheiro. Mas a empresa já tem que fazer isso para se proteger contra as histórias inventadas que proliferaram na plataforma durante a última eleição presidencial dos EUA.

Para ter um exemplo de como tudo isso poderia funcionar, o Facebook deveria dar uma olhada no CoverUs, um novo aplicativo que permite que os usuários vendam dados sobre sua saúde, fundado por Andrew Hoppin e Christopher Sealey, ex-colega meu na Peter G. Peterson Foundation.

Por enquanto, os usuários estão irritados com o Facebook por compartilhar parte de seus dados com terceiros, e os terceiros estão irritados com o Facebook por não compartilhar mais dados dos usuários. Permitir que os usuários controlem e vendam seus próprios dados é uma solução que poderia satisfazer -- e talvez enriquecer -- todos os envolvidos.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial nem da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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